Segurança pública

Mais 2 presos por morte de empresários em São Pedro

A Polícia Civil de Piracicaba prendeu ontem dois homens acusados de alugar a arma usada no duplo homicídio de empresários, ocorrido em abril

Da Redação
18/07/2025 às 06:52.
Atualizado em 18/07/2025 às 06:53
Juliana Ricci e William Marchi, da Deic (Mateus Medeiros)

Juliana Ricci e William Marchi, da Deic (Mateus Medeiros)

A Polícia Civil de Piracicaba prendeu ontem, na cidade de São Carlos, mais dois homens, de 60 e 39 anos, suspeitos de envolvimento no duplo homicídio dos empresários José Eduardo Ometto Pavan, de 69 anos, e Rosana Ferrari, de 61, ocorrido em abril deste ano na cidade de São Pedro. A ação faz parte da segunda fase da Operação Jogo Duplo, conduzida pela Divisão Especializada em Investigações Criminais (Deic).

Os dois novos presos são acusados de fornecer a arma usada no crime, uma pistola calibre 9 mm, sem documentação e com parte da numeração raspada. A arma foi alugada aos executores, segundo as investigações, e apreendida durante o cumprimento de quatro mandados de busca. Uma terceira pessoa foi conduzida à delegacia para prestar esclarecimentos e pode ter a prisão decretada nos próximos dias.

A identificação dos suspeitos e da arma foi possível graças à quebra de sigilo telefônico e à análise de mensagens trocadas entre os envolvidos. Os presos admitiram ter alugado a arma mediante pagamento, mas negam saber que ela seria usada para um duplo homicídio. Segundo os delegados William Marchi e Juliana Ricci, da Deic, os valores negociados foram de R$ 30 mil para um dos envolvidos e R$ 10 mil para cada um dos outros dois.

Durante a investigação, apurou-se que houve desentendimentos entre os envolvidos sobre os valores prometidos, e os executores do crime não chegaram a receber o que foi acordado. A arma, segundo Marchi, tem valor de mercado entre R$ 2 mil e R$ 5 mil.

Crime motivado por patrimônio milionário

O crime ocorreu em 4 de abril de 2025, e os corpos das vítimas foram encontrados dois dias depois, dentro de um carro estacionado em uma chácara na serra de São Pedro, com marcas de tiros e mãos amarradas. José Eduardo e Rosana eram donos do Educandário da Criança, em Araraquara (SP), e estavam na cidade para lazer.

A Polícia Civil apurou que o crime foi motivado pelo interesse dos mandantes no patrimônio milionário do casal, que não tinha herdeiros. Os advogados Hércules Praça Barroso e Fernanda Morales Teixeira Barroso, presos em 17 de junho, são apontados como os mandantes do crime. Ao longo dos anos, eles receberam imóveis avaliados em R$ 12 milhões das vítimas e teriam falsificado documentos para se apropriar de R$ 2,8 milhões em valores indevidos, sob alegação de custos processuais inexistentes.

Na primeira fase da Operação Jogo Duplo também foram presos Carlos César Lopes de Oliveira, motorista particular e ex-candidato a vereador em São Carlos, e Ednaldo José Vieira, apontados como executores do crime. O homem de 60 anos preso ontem é cunhado de Ednaldo, o que reforça os vínculos entre os envolvidos.

Com as novas prisões, seis pessoas envolvidas no caso estão detidas temporariamente. A delegada Juliana Ricci afirmou que, embora não haja mais suspeitos a serem presos, a individualização das condutas ainda será feita. “Todos estão envolvidos, principalmente na associação criminosa. Temos 30 dias para concluir essa etapa”, disse.

As prisões temporárias dos investigados foram renovadas por mais 30 dias, e os novos detidos também permanecerão presos pelo mesmo período. Os envolvidos devem responder por homicídio qualificado, associação criminosa, estelionato, falsidade ideológica, uso de documento falso e ocultação de cadáver.

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