Sociedade Treze de Maio

Julho das Pretas destaca luta e cultura em Piracicaba

Sesc abre programação cultural e política em homenagem às mulheres negras

Rogério Verzignasse
01/07/2026 às 06:39.
Atualizado em 01/07/2026 às 06:39
Encontro refletiu sobre mulheres negras na política institucional, realizado no ano passado (Divulgação)

Encontro refletiu sobre mulheres negras na política institucional, realizado no ano passado (Divulgação)

Evento marcado para a noite de hoje no Sesc lança oficialmente o Julho das Pretas. Durante todo o mês de julho, acontecerá uma série de atividades culturais e comemorativas na Sociedade Beneficente Treze de Maio, em bairros e espaços públicos, como o Engenho Central.

“Trata-se de um período de reconhecimento, reflexão e mobilização em torno da trajetória histórica das mulheres negras na luta pela garantia de direitos, pela cidadania plena, pela justiça social e pela ocupação dos espaços de poder e decisão”, explica Aldelize Nascimento, do setor de comunicação do clube.

A escolha do mês para a festa tem motivo. Julho é marcado internacionalmente pela celebração do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e, no Brasil, pelo Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, celebrado em 25 de julho.

No Brasil, registra Aldelize, desde a década de 1950, mulheres negras vêm se organizando coletivamente para enfrentar as desigualdades raciais e de gênero, construir redes de apoio, reivindicar direitos e fortalecer seu protagonismo político e social. Ao longo das décadas, suas vozes impulsionaram transformações fundamentais para a democracia brasileira, deixando um legado de resistência, liderança e construção de futuros mais justos.

O Treze de Maio não está sozinho na organização. Além do Coletivo de Mulheres Negras de Piracicaba, o Julho das Pretas conta com o apoio considerado fundamental do Sesc, entidade promotora da cultura, cidadania, diversidade e diálogo social.

O painel de abertura desta noite, Entre a Luta e a Liderança: Vivências de Mulheres Negras, é um encontro que reunirá lideranças comunitárias, como Marcinha da Vila África, a atriz Mayara Cristina e Ediana de Arruda, do movimento cultural Samba de Lenço. O encontro será prestigiado por comitivas de mulheres organizadas em bairros populares.

Mulheres

Tia e sobrinha, líderes históricas

O movimento de articulação das mulheres negras em Piracicaba ganhou força na década de 1980, com a atuação da assistente social Sônia Veríssimo, que, a partir do São Dimas, organizou um movimento que buscava garantir assistência médica para as trabalhadoras. Hoje, a sobrinha de Sônia, Silvana Veríssimo, é coordenadora da Rede Nacional de Mulheres Negras no Combate à Violência.

Serviço

Abertura oficial do Julho das Pretas 1º de julho, às 19h, no Sesc Piracicaba, na rua Ipiranga, 155, Centro


 

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