
Equipe médica em procedimento no Centro Cirúrgico do Hospital Regional de Piracicaba (Divulgação)
O Hospital Regional de Piracicaba (HRP), referência no atendimento de pacientes de toda a região metropolitana, se prepara para adotar mudanças administrativas que devem afetar diretamente a contratação e capacitação das equipes médicas, além de procedimentos cotidianos, como o pagamento de funcionários e fornecedores.
O setor de saúde da Unicamp — administradora do hospital piracicabano — será transformado em autarquia vinculada à Secretaria de Estado da Saúde, conforme negociação entre a reitoria e o governo paulista.
Já foram iniciados os estudos técnicos e o planejamento orçamentário, considerando um prazo de transição de 10 anos. A proposta prevê a redução progressiva dos recursos que a Unicamp destina à Saúde. Atualmente, a reitoria compromete cerca de R$ 1,1 bilhão do seu orçamento anual com o setor. O alívio no caixa permitirá, inclusive, investimentos na implantação de novos cursos.
“Nossa região é um polo de tecnologia em constante expansão e uma das mais ricas do estado. Queremos reforçar, junto com o governo, ações voltadas a esses novos desafios, com novidades em inovação no triângulo que compreende Campinas, Piracicaba e Limeira, o que inclui, inclusive, uma escola de medicina”, ressaltou o reitor Paulo César Montagner.
Mudança semelhante já foi executada em outras universidades públicas de São Paulo, após aprovação de projeto de lei na Alesp.
“Esse planejamento bem articulado começa com metas e com a formação de um grupo de trabalho, já que o dimensionamento dos novos cursos exige projetos pedagógicos, laboratórios modernos e planejamento de concursos para futuros docentes e funcionários”, frisou o reitor.
Para o coordenador-geral da universidade, Fernando Coelho, o comprometimento atual dos recursos destinados à área da saúde impede a expansão de novos cursos. “Vamos tramitar em todas as esferas da universidade, com participação de todos os segmentos representativos, porque é uma proposta que muda a forma como a área tem sido financiada há quase 50 anos”, afirmou Coelho.
O que muda
A transformação em autarquia deverá seguir modelo semelhante ao adotado pelas faculdades de medicina da USP e da Unesp. Autarquia é uma entidade de direito público, com autonomia econômica, técnica e administrativa, mas fiscalizada pelo Estado.
No caso da área da saúde, ela continuará associada à Faculdade de Ciências Médicas (FCM) e às demais unidades da Unicamp que atuam no setor, para fins de ensino, pesquisa e extensão.
A nova autarquia terá como finalidade servir de campo para ensino e treinamento de estudantes de graduação, pós-graduação e escolas superiores com currículos voltados às Ciências da Saúde.
Além disso, deverá funcionar como espaço de aperfeiçoamento de médicos, técnicos e alunos, possibilitando a realização de pesquisas, estágios, cursos de pós-graduação, investigação científica e inovações tecnológicas em saúde. Também integrará o Sistema Único de Saúde (SUS), oferecendo assistência médico-hospitalar à comunidade.
Direitos garantidos
Os trabalhadores continuarão recebendo reajustes salariais como qualquer outro servidor, terão garantidos os avanços na carreira, manterão as mesmas regras para aposentadoria e seguirão votando nas eleições para reitor. Em caso de aposentadoria ou desligamento, a Secretaria de Estado da Saúde será responsável pela substituição.
O plano prevê uma transição semelhante à que ocorreu na Unesp. Inicialmente, a Unicamp manterá o orçamento previsto para a Saúde. A partir do terceiro ano, o desembolso será reduzido gradualmente, em um processo de desfinanciamento que se estenderá por 10 anos.
Justificativa para a mudança
Dados mostram que a Unicamp é a universidade estadual paulista que oferece o menor número de vagas nos vestibulares. A Unesp disponibiliza cerca de 7,6 mil vagas no Vestibular 2026, enquanto a USP oferece 8,1 mil. Já a Unicamp conta com apenas 3,4 mil vagas.
Na área da saúde, a Unicamp mantém praticamente o mesmo número de leitos desde 1990. Na Unesp, por exemplo, após a transformação da Saúde em autarquia, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu passou de 461 para 664 leitos.