GERANDO CONHECIMENTO

Horta vira uma nova ferramenta pedagógica

O projeto da horta hidropônica inclui alface crespa, almeirão e rúcula

Marcelo Rocha
igpaulista@rac.com.br
16/02/2017 às 10:29.
Atualizado em 28/04/2022 às 03:49

Alunos e o professor Alexsandro Fernandes (terceiro da direita para a esquerda, exibem as mudas (Christiano Diehl Neto)

Quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017 Os alunos da Escola Estadual 'Professora Maria de Lourdes Silveira Consentino', no bairro Vila Sônia, têm, a partir deste ano, uma nova ferramenta pedagógica a seu dispor: uma horta hidropônica, espaço que vai gerar conhecimento, convivência além da sala de aula e debates interdisciplinares, envolvendo temas diversos como sustentabilidade, qualidade de vida, higiene e alimentação saudável. O projeto da horta hidropônica - que inclui alface crespa, almeirão, rúcula, cebolinha e outras hortaliças - foi desenvolvido por alunos e professores e, em seguida, encaminhado ao Ministério da Educação (MEC), explica a diretora, Zélia Pinheiro Elias. O órgão federal, então, aprovou e financiou a iniciativa, orçada em R$ 14 mil. “O valor é referente à estrutura do local, compra de mudas, instalação e acompanhamento por um especialista, aquisição de um notebook e um bebedouro”, lista a diretora. A intenção é que os cerca de 1,2 mil alunos da escola - dos Ensinos Fundamental anos finais (6º ao 9º) e do Ensino Médio - usufruam da horta hidropônica, diz Alexsandro Fernandes, professor de Sociologia e Filosofia. “Alguns princípios do projeto são discutir a questão da sustentabilidade, envolver a comunidade no trabalho e oferecer uma ação interdisciplinar, que englobe matérias como Química, Física, Biologia, conceitos de Matemática, Geografia, História, Ciências, Português e outras”, lista o educador. Na opinião de Guilherme Gehm, 15 anos de idade, presidente do grêmio estudantil da Consentino, a iniciativa “é fundamental porque vai despertar o interesse por temas como sustentabilidade, natureza e alimentação saudável entre os alunos”. “Com certeza vai haver um ganho pedagógico”, diz. Para Flávia Bernardes, o projeto “é válido e bacana porque traz para a área urbana uma realidade já distante para nós, como, por exemplo, o contato com a terra e o cultivo de vegetais”. “Além disso, a horta permite a gente estudar outras áreas do conhecimento”, afirma a jovem. Segundo o estudante Vinícius Moura, 16 anos de idade, a horta “vai permitir experimentar na prática aquilo que a gente aprende na teoria dentro da sala de aula”. Wagner Oliveira Pereira, coordenador do Ensino Médio, avalia que um dos méritos do projeto é “envolver todas as disciplinas em diferentes níveis, desde o Ensino Fundamental ao Médio”. “Vale lembrar que alguns alunos receberam capacitação para trabalhar na horta durante a Feira de Ciências, que foi realizada em novembro”, destaca. Por enquanto, o que se vê na horta hidropônica ainda são mudas. Mas em breve, uma parte produção vai abastecer a merenda da escola e outra será doada às famílias e à comunidade, comenta Elaine Aparecida Bassan Castro, coordenadora do Ensino Fundamental nos anos finais. “O processo educativo não acaba com a entrega da hortaliças, vai envolver ações de higiene com alimentos, de redução do desperdício, formas de preparo e outras”, declara.

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