CRIME DIGITAL

Homem é preso, em Piracicaba, por extorquir meninas

Ao ver os policiais, acusado quebrou o tablet e engoliu o cartão

Ana Cristina Andrade
ana.andrade@gazetadepiracicaba.com.br
09/04/2018 às 10:15.
Atualizado em 18/04/2022 às 23:40

Segunda-feira, 9 de abril de 2018 Um grupo de policiais civis da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), de Piracicaba, foi procurado há um ano, por uma família de uma cidade da sub-região. Tudo porque uma menina com idade abaixo de 12 anos estava sendo difamada nas redes sociais. A partir daí, uma equipe do Setor de Inteligência da Delegacia Especializada entrou em ação e descobriu de que se tratava de um homem que criara uma página falsa no Facebook, para abordar as vítimas. O grupo era formado por adolescentes, com idades de 12 e 13 anos. O acusado passou a se aproximar deles, como se fosse outra jovem. Após ganhar a confiança deles, começavam as ameaças que sinalizavam as publicações de fotos envolvendo as vítimas. Também havia ameaças de morte a familiares, até que as vítimas concordassem em enviar vídeos, nuas e em posições eróticas. Segundo apurou o delegado, Demetrios Gondim Coelho, como algumas "amigas" desta pessoa falsa não mandavam suas fotos, o acusado, então, pegava imagens no Facebook, fazia montagens das fotos em sobreposição a corpos nus de outras pessoas e passava a ameaçar as vítimas.  Quando a situação a este ponto, o criminoso, que, na verdade, tem 31 anos de idade, já sabia muitas coisas de suas vítimas e passava a ameaçá-las, dizendo que, se as meninas não enviassem um vídeo delas sem roupa, ele mataria os familiares. Amedrontadas, algumas enviaram esses vídeos. Era quando ele começava a exigir dinheiro para não publicá-los. "No final de semana passado, o acusado andou ameaçando muito essas vítimas. Então, resolvemos fazer uma Operação para prendê-lo", explicou Coelho. Um dos investigadores que trabalhou no caso, e que faz parte de uma equipe especializada no combate a crimes virtuais, contou que ao chegarem à casa do acusado, a mãe dele atendeu aos policiais no portão. "Ela demorou um pouco para abrir. Ao entrarmos na residência, nos deparamos com o investigado quebrando o tablet. Inclusive, ele engoliu o cartão de memória, para que não obtivéssemos as imagens", declarou. Por não terem essas imagens, segundo o investigador, não foi possível prendê-lo com base no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), pois eram necessárias provas do crime de pedofilia. O acusado, que exigia dinheiro das vítimas, acabou preso por extorsão. Por um ano Segundo o investigador que conversou com a Gazeta, e que não quer ter seu nome divulgado por se tratar de uma situação bastante delicada, com algumas informações sigilosas e preservação das vítimas, foi extremamente difícil chegar ao autor porque, constantemente, ele trocava de aparelhos e de chips. Nesse meio tempo, a Polícia tinha de começar do zero. "Tínhamos de procurar o Ministério Público, pedir para o juiz encaminhar ofícios para as operadoras, e as respostas não eram imediatas. Ele (o acusado) fazia essa mudança sempre, e isso dificultou muito o nosso trabalho. Mas não desistimos de pegá-lo", explicou. Quanto ao cartão de memória que o acusado engoliu, de acordo com o investigador, isso não irá atrapalhar o andamento do inquérito. A Polícia Civil possui ferramentas tecnológicas para recuperar o que estava no tablet. Mais vítimas Até o momento, segundo o delegado Demetrios Coelho, seis vítimas do homem foram identificadas, mas ele acredita que o número chegue perto de 20. Muitas vítimas não reclamam, de acordo com a Polícia Civil, porque se sentem constrangidas. O investigador falou que a equipe de combate a crimes virtuais está tentando encontrar outras vítimas deste homem, para que ele pague, na Justiça, o que fez. "Ele foi preso pelo crime de extorsão, mas está sendo apurado, ainda, o envolvimento dele no crime de pedofilia. Por isso, é importante que outras pessoas que tenham sido vítimas deste tipo de crime, de qualquer cidade, nos procurem porque a internet não tem fronteiras", explicou. "Estamos fazendo um caminho reverso no rastro digital que ele deixou, para que possamos descobrir mais coisas. A sociedade pode contar conosco, temos uma equipe boa, que não está aqui para mostrar o rosto, mas que está atrás de quem anda fazendo isso", completou. Demetrios Coelho acrescentou que os casos nos quais as crianças tentaram resolver sozinha os problemas, sem a ajuda de alguém mais experiente, não conseguiram e foram envolvidas pelo criminoso. As vítimas que começaram a receber ameaças, ou fotos de desconhecidos, contaram aos pais, que, por sua vez, procuraram a Polícia. Neste caso, elas foram poupadas antes. Coelho dá uma orientação básica para que as pessoas, principalmente crianças e adolescentes, não caiam neste tipo de constrangimento. "A primeira delas é não aceitar amizades de pessoas desconhecidas", ressaltou. "Depois, se qualquer pessoa que receber mensagens que tenham conotações de ameaça, ou de cunho sexual, deve comunicar rapidamente aos pais para que eles tomem providências". Denuncie A Delegacia de Investigações Gerais (DIG), de Piracicaba, está aberta de segunda a sexta-feira, das 8 horas às 18 horas, e está localizada à rua Tiradentes, na esquina com rua Moraes Barros. As vítimas deste tipo de crime podem procurar o delegado. Ou, ainda, basta dizer que querem falar com os investigadores que combatem crimes virtuais. Dúvidas também podem ser esclarecidas pelo telefone: (19) 3433-2997, também em horário comercial. Os policiais civis reforçam que a identidade das vítimas será mantida em total sigilo e que, por medidas de segurança, o nome ou cidade do acusado não serão divulgados.

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