INTERNACIONAL

Gueixas do Japão migram para a internet

De joelhos, com a ponta dos dedos apoiadas no parqué, Chacha, uma gueixa, inclina-se diante de uma plateia que acompanha seus gestos, mas não ao seu lado e sim a quilômetros de distância, através de uma tela

AFP
16/06/2020 às 10:06.
Atualizado em 27/03/2022 às 17:02

De joelhos, com a ponta dos dedos apoiadas no parqué, Chacha, uma gueixa, inclina-se diante de uma plateia que acompanha seus gestos, mas não ao seu lado e sim a quilômetros de distância, através de uma tela.

A mulher de 32 anos, iluminada por potentes holofotes, faz uma dança tradicional movendo-se como uma borboleta e abrindo seu leque.

Seu público habitual é geralmente composto por homens maduros com recursos, que assistem a cerimônia em uma pequena sala cheia de tatames.

Mas agora os espectadores de Chacha a assistem através de uma tela e são formados por mulheres e famílias com crianças.

"Como estão passando o tempo em casa?", pergunta a gueixa. "Eu estava jogando Animal Crossing durante o estado de emergência", diz a seus espectadores em referência a um conhecido videogame.

O Japão, relativamente pouco afetado pela pandemia de coronavírus, impôs o estado de emergência que também paralisou a vida cultural e noturna.

No cerimonial da gueixa, quase tudo vai contra as medidas de distanciamento físico, desde os cantos e danças em espaços reduzidos até as conversas regadas com saquê.

Um desastre para Chacha, cujo salário foi zerado e aguarda com impaciência uma ajuda do governo.

Então, decidiu fazer as cerimônias online no "Meet Geisha", um sistema lançado no ano passado por uma empresa informática japonesa.

Inicialmente, a ideia era promover os espetáculos das gueixas para os turistas nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 e em um ambiente menos intimidador.

No entanto, o coronavírus obrigou o adiamento dos jogos e fechou as fronteiras ao turismo internacional, o que levou as empresas a associarem-se com as gueixas de Hakone, uma cidade a cerca de 80 km ao sudoeste de Tóquio, para propor uma versão virtual, explica à AFP a responsável pelo projeto, Tamaki Nishimura.

Ao contrário do equívoco de alguns ocidentais, as gueixas não são prostitutas, mas artistas altamente qualificadas.

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