Parados desde o dia 8, trabalhadores realizaram um protesto

Coletores se concentraram em frente ao prédio da Prefeitura (Antonio Trivelin)
De braços cruzados desde a última quinta-feira (8), os coletores de lixo do município promoveram, na manhã desta segunda-feira (12), em frente ao Centro Cívico, um protesto por melhores condições de trabalho. A categoria reivindica junto à Piracicaba Ambiental - empresa responsável pela coleta de resíduos na cidade - melhores condições de trabalho. Nesta segunda, a empresa apresentou uma liminar junto ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT) que determina que 70% dos trabalhadores retornem imediatamente aos serviços de coleta, varrição e transporte de lixo. Caso haja descumprimento da liminar, a multa diária (imposta aos dois sindicatos que representam os coletores e os motoristas) será de R$ 30 mil. Os funcionários da Ambiental se queixam, principalmente, da falta de manutenção nos caminhões e de equipamentos de proteção individual (EPIs). Alguns coletores não teriam sequer botas e luvas, segundo relatos. Sobre os carros, os funcionários denunciam que há caminhões com problemas mecânicos (pneus carecas, falta de freios e outros) e que alguns estariam, inclusive, com a documentação atrasada (IPVA e outras obrigações). Os coletores também estão insatisfeitos com a demissão de cinco funcionários que integravam uma comissão, que havia sido formada para negociar com a Ambiental. "Montamos uma comissão eu participava dela. A gente passava os problemas para o gerente e ele dizia que arrumaria os caminhões, porque tem caminhão sem freio, sem luz, com problema na parte elétrica. Na semana passada, ficou definido que se eles não arrumassem os caminhões a gente ia parar. Não arrumaram e, então, o pessoal não foi trabalhar a partir de quinta (dia 8). Depois, me chamaram para uma reunião e me dispensaram na sexta, alegando que eu não tinha pulso para tocar a coleta", afirma Nivaldo Nunes da Silva, ex-supervisor da Ambiental. "A empresa demitiu essa comissão para enfraquecer o movimento. Eu mesmo fui dispensado há três meses e ainda não recebi, não deram baixa na carteira e nem acertaram minhas contas. Por isso, não consigo arrumar outro trabalho porque ainda estou vinculado à Ambiental", declara Márcio Pereira, 35 anos de idade. Após o protesto, os coletores se dirigiram ao Ministério do Trabalho para fazer uma representação contra a Ambiental. "É uma denúncia contra as más condições de trabalho, para tentar quebrar a liminar que obriga o retorno de 70% do efetivo às ruas. Mesmo porque a gente não tem frota em condições para isso", disse um porta-voz da categoria. Os dois Sindicatos que respondem pelos trabalhadores são o dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação e Trabalhadores na Limpeza Urbana e Áreas Verdes de Piracicaba e Região (Siemaco) e o dos Condutores de Veículos Rodoviários Fretes, Usinas e Transportes de Cargas Secas e Molhadas em Geral de Piracicaba (Sifrucap). Até o fechamento desta edição, a Gazeta não conseguiu contatar os representantes das entidades. A reportagem, contudo, conversou com coletores e motoristas que informaram que o serviço seria retomado na noite desta segunda-feira. Em nota, a Prefeitura comunica que "o secretário municipal de Defesa do Meio Ambiente (Sedema), José Otávio Menten, o procurador-geral do município, Milton Bissoli, e o diretor do Departamento de Controle Ambiental da Sedema, Carlos Ambrosano, receberam, no anfiteatro do Centro Cívico, a comissão de coletores de lixo e representantes dos sindicatos, e também solicitaram que a Ambiental apresente as guias de fornecimento de equipamento de proteção individual (EPIs) aos coletores". A Prefeitura de Piracicaba ainda informa já ter acionado a Ares-PCJ, que gerencia o contrato do lixo. A administração municipal foi questionada, mas não informou a quantidade de lixo que permanece nas ruas da cidade desde o início da paralisação.