Clima

Fenômeno El Niño pode aquecer Piracicaba em julho

Boletins oficiais indicam maior chance de temperatura acima da média no trimestre, mas não cravam onda de calor na cidade

Erick Tedesco
17/06/2026 às 09:33.
Atualizado em 17/06/2026 às 09:44

Em Piracicaba, o principal ponto de atenção não é apenas a temperatura máxima isolada, mas a persistência do padrão (CCS)

O retorno do El Niño ao Pacífico equatorial aumenta a chance de Piracicaba ter um julho mais quente que o padrão histórico do inverno, segundo boletins da NOAA, do INMET, da Organização Meteorológica Mundial e do prognóstico sazonal elaborado por CPTEC/INPE, INMET e Funceme. O risco, porém, exige cautela: os dados disponíveis indicam risco maior de temperaturas acima da média, mas não permitem afirmar, neste momento, que a cidade terá uma onda de calor ou calor extremo no mês.

A NOAA confirmou em 11 de junho que as condições de El Niño estão presentes e devem se fortalecer até o inverno do Hemisfério Norte, período que corresponde ao verão no Brasil. O boletim informou que o índice Niño 3.4, uma das principais referências para o monitoramento do fenômeno, estava em +0,7°C. O INMET, ao repercutir a atualização, informou que o El Niño voltou a se estabelecer no Oceano Pacífico Equatorial e pode ganhar intensidade nos próximos meses.

A Organização Meteorológica Mundial também aponta o El Niño como cenário dominante para o trimestre junho, julho e agosto. Segundo a entidade, há 80% de probabilidade de ocorrência do fenômeno no período, com chance próxima ou superior a 90% de continuidade até pelo menos novembro. A OMM ressalta, no entanto, que os efeitos variam conforme intensidade, duração, época do ano e interação com outros sistemas climáticos. 

Para o Brasil, o prognóstico sazonal de CPTEC/INPE, INMET e Funceme para junho, julho e agosto indica maior probabilidade de temperaturas acima da faixa normal climatológica em grande parte do país. O mesmo documento observa que, no centro do Brasil e no Sudeste, o período já é marcado climatologicamente pela redução das chuvas. Isso significa que Piracicaba entra em julho dentro de uma estação normalmente seca, em um contexto de maior probabilidade de tardes mais quentes do que o habitual. 

A previsão sazonal não elimina, contudo, a possibilidade de quedas pontuais de temperatura. O boletim nacional destaca que massas de ar frio ainda podem avançar pelas regiões Sul, Sudeste, parte do Centro-Oeste e da Região Norte, provocando reduções expressivas de temperatura em alguns episódios.

Em Piracicaba, isso tende a manter a característica de inverno com amplitude térmica: manhãs frias ou amenas em determinados dias e tardes mais quentes quando há predomínio de sol, ar seco e bloqueio à passagem de frentes frias.

Série mensal

Os dados locais ajudam a dimensionar o que seria uma anomalia para julho. A série de temperatura média mensal de Piracicaba, compilada pelo IPPLAP com dados da ESALQ/USP, mostra que julho costuma ter médias de máximas na casa dos 25°C a 27°C em anos recentes, com variações de um ano para outro.

Na mesma série, julho registrou média de máxima de 27°C em 2016, 25,3°C em 2017, 28,7°C em 2018, 26°C em 2019, 27,8°C em 2020 e 26,2°C em 2021.

Por esse padrão, sequências de tardes acima de 30°C em julho já representariam um desvio relevante para o inverno piracicabano, mesmo que não configurem, automaticamente, uma onda de calor.

Para que o termo “calor extremo” seja usado com rigor, é necessário observar previsões de curto prazo, duração do evento, intensidade da anomalia e eventual emissão de avisos meteorológicos por órgãos oficiais, como INMET e Defesa Civil.

Aquecimento no Pacífico

Desta forma, até o momento não se pode afirmar que o El Niño aquece Piracicaba de forma direta. O fenômeno ocorre no Oceano Pacífico equatorial, com aquecimento anômalo da superfície do mar, e altera a circulação atmosférica em escala global. No Brasil, seus efeitos mais conhecidos incluem maior risco de chuva no Sul e redução de precipitação em áreas do Norte e Nordeste. No Sudeste, o impacto é mais variável, mas pode favorecer períodos secos e mais quentes quando se combina a bloqueios atmosféricos, menor frequência de frentes frias e maior insolação.

Em Piracicaba, o principal ponto de atenção não é apenas a temperatura máxima isolada, mas a persistência do padrão. Dias consecutivos de sol, baixa umidade e pouca chuva podem aumentar desconforto térmico, demanda por água, risco de queimadas em áreas de vegetação e pressão sobre grupos mais vulneráveis. A Defesa Civil municipal já atua no período de estiagem com ações ligadas à Operação São Paulo Sem Fogo, e a Prefeitura informou em junho que recebeu um caminhão-pipa para reforçar o combate a incêndios urbanos e florestais.

Orientações

Na área da saúde, o Ministério da Saúde orienta que, em períodos de calor, a população mantenha hidratação regular, evite exposição direta ao sol nos horários mais quentes e ajuste atividades ao ar livre para períodos de menor temperatura. A atenção é maior para crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.

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