Serviço ganha sede, nome e pretende ir além nos atendimentos
Quinta-feira, 3 de maio de 2018 O Serviço 'Família Acolhedora', que tem famílias cadastradas para auxiliar crianças e adolescentes com seus direitos violados, por no máximo dois anos, receberá, neste sábado (5), às 10 horas, o nome de 'Irmã Tereza Cristina de São José'. Desde o final de 2017, o Serviço voltou a ser coordenado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Semdes). Antes era monitorado pela Pastoral do Serviço da Caridade (Pasca). Com a coordenação do poder público, o Serviço passou a ter sede própria, localizada à rua Coronel João Mendes Pereira de Almeida, 200, no bairro Nova América. É coordenado por Carla Gonçalves Marques e tem, na equipe técnica, a psicóloga Cristiane Aparecida Florentino Alves Lima e a assistente-social, Maíra Francheschis Negri Miraldo. “Atualmente temos oito crianças em acolhimento e três delas em processo de reintegração familiar. Temos 21 famílias cadastradas, mas nossa meta é aumentar esse número. O serviço é uma medida excepcional, indicado para os casos em que há a possibilidade de reinserção familiar”, explicou Carla. Segundo ela, o 'Família Acolhedora', em Piracicaba, pode acolher até 15 crianças e adolescentes. Apesar de ter 21 inscritos, o objetivo é conseguir mais famílias interessadas em participar do Serviço, porque algumas fazem restrições com relação à faixa etária que podem acolher e a ideia é ter cadastros suficientes para atender a demanda do município, que atende as determinações da Vara da Infância e Juventude da Comarca de Piracicaba. Para participar do Serviço, a família não pode ter interesse em adoção e nem estar inscrita no Cadastro Nacional de Pretendentes à Adoção. A maioria das crianças que está no serviço foi retirada da família de origem, pela Justiça, por negligência. “Atualmente esse é o maior problema de violação de direitos, em seguida vem o uso abusivo de drogas e álcool, violência física e psicológica, abandono e violência sexual. Quando a criança é encaminhada para o acolhimento, nós iniciamos também um trabalho de fortalecimento da família de origem ou extensa, para que possa receber a criança novamente”, disse Maíra. As causas que levam às famílias de origem a violar os direitos das crianças e adolescentes são multifatoriais. “Há grandes vulnerabilidades e vários fatores que incidem na dinâmica dessas famílias que dificultam que elas permaneçam com as crianças. Nosso trabalho tenta identificar a história de vida dessa família, os motivos que levaram a criança ao acolhimento, fortalecer os vínculos afetivos e ajudar a família de origem ou a extensa (tios, avós) a superarem as dificuldades para receberem a criança novamente”, afirmou Cristiane. Para isso, a Semdes conta com o apoio de toda a rede pública, a exemplo das áreas da Saúde, Educação, Trabalho e Renda, entre outras. Dedicação Há cinco anos, o casal Gisele Camolese Cortes e Marcelo Francisco Cortes, participa do Serviço 'Família Acolhedora' e já acolheu cinco crianças. O primeiro tinha um ano de idade e os demais eram recém-nascidos. “Uma psicóloga amiga nossa conhecia o Serviço e nos indicou, porque sabia que queríamos ajudar essas crianças de alguma forma e não sabíamos como”, disse Gisele. Para Cortes, a participação do casal, que tem um filho de 14 anos de idade, é um aprendizado. “O ser humano costuma ser egoísta e acha que ama. Na verdade, aprendemos a amar sempre. E é assim com cada criança que cuidamos, que não são nossas, mas são amadas e criada como nossos filhos, enquanto estão conosco”, afirmou. Segundo Gisele, eles lidam bem com a partida das crianças. “Talvez porque nós perdemos um filho com seis anos de idade. Nossa dor nos preparou para deixarmos essas crianças irem embora, mas para serem mais feliz do que quando chegaram”, comentou Gisele. Eles querem continuar participando do Serviço e mantém contato com todas as crianças que cuidaram. “Isso é permitido pela lei, desde que a família de origem ou extensa que teve a criança reintegrada permite, ou quando a criança é adotada. Depende da família substituta concordar”, comentou Carla. Serviço Pessoas com mais de 25 anos de idade, interessadas em participar do Serviço, podem buscar informações pelo telefone: (19) 3422-0621, de segunda a sexta-feira, das 8 horas às 17 horas.