Longa estiagem em 2017 prejudicou o desenvolvimento das lavouras

Estoque de passagem de etanol entre as safras será de 1,4 bilhão de litros (Del Rodrigues)
Segunda-feira, 8 de janeiro de 2018 O Brasil tem estoques justos para atender o consumo de etanol durante a entressafra, que termina em meados de março, e os preços nas bombas vão depender da demanda neste que é período de férias em boa parte do País. O equilíbrio tende a deixar os preços estáveis, mas vale lembrar que não haverá aumento antecipado de oferta e, se a demanda se aquecer, os preços do biocombustível tendem a subir. A longa estiagem no último ano prejudicou o desenvolvimento das lavouras de cana-de-açúcar no País e impedirá a colheita da cultura antes do início oficial da próxima safra, de 2018/2019. Para o consumo, fatores como o preço externo da gasolina, a taxa de câmbio e a atividade econômica também influenciam e este cenário ainda não está claro. O presidente da Datagro Consultoria, Plínio Nastari, estima que o estoque de passagem de etanol entre as safras 2017/2018 e 2018/2019, em 1º de abril, será de 1,4 bilhão de litros, volume superior ao de igual período do ano passado. No entanto, a demanda pelo etanol pode crescer com a melhora da competitividade do biocombustível diante da gasolina. "Isso pode ajudar a sustentar os preços do etanol, mas tudo vai depender das cotações da gasolina no mercado internacional e do repasse dos preços nas bombas", disse Nastari, se referindo à política de preços da Petrobras, de ajustes diários às distribuidoras a depender do comportamento do petróleo. Tanto os preços da gasolina quanto os do etanol no mercado internacional estão atrelados ao desempenho das cotações externas do petróleo. No fim de novembro, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) anunciou ter acordado com outros países não-membros do cartel em prorrogar o período de corte na produção do combustível fóssil até o fim de 2018. Os integrantes da Opep e outros grandes produtores do óleo, liderados pela Rússia, se comprometeram no fim de 2016 a reduzir a produção de petróleo em cerca de 1,8 milhão de barris por dia a partir dos níveis de outubro daquele ano, em um esforço para retirar o excesso dos estoques globais e reequilibrar a oferta e a demanda. O acordo entrou em vigor em janeiro de 2017 e expiraria em março de 2018. Com a prorrogação no acordo, a perspectiva é de preços sustentados dos combustíveis, inclusive no Brasil. O diretor-comercial e de Logística da São Martinho, Helder Gosling, diz que o petróleo tem sido o principal fator a influenciar os preços domésticos do etanol na bomba e deve continuar a mover este mercado pelos próximos meses. "Para contrabalançar a decisão do Opep, nós temos os estoques mais altos da gasolina nos Estados Unidos", ressalta o executivo, sobre possível pressão nas cotações globais. No mercado interno, o consumo vai refletir a situação da Economia. "Nas férias você tem uma demanda específica, então precisamos avaliar o que vai acontecer neste período. Até as taxas de câmbio são influentes", diz o executivo da São Martinho. "O dólar no nível em que está faz com que as viagens ao Exterior percam parte da atratividade". Optando pelo Turismo Doméstico, o brasileiro mantém aquecido o consumo de etanol. Em uma perspectiva de longo prazo, Gosling acredita que a recuperação na atividade econômica do País tende a puxar o consumo do ciclo Otto, que inclui todos os combustíveis. Isso pode significar mais um sinal de aquecimento na demanda e outro potencial para ajuste nos estoques de etanol. Estimativa de produtores Nastari e o presidente da União dos Produtores de Bioenergia (Udop), o empresário Celso Junqueira Franco, lembram que o Desenvolvimento Fisiológico da cana está atrasado, o que impedirá uma oferta extra de etanol da maioria das usinas antes da próxima safra no Centro-Sul. "Deveremos ter o fechamento da atual safra com um volume abaixo do estimado por conta do período chuvoso no fim de ano. Com maior demanda, o ajuste de preços é inevitável", disse Junqueira Franco. No Centro-Sul, somente o Paraná deve moer a safra a partir fevereiro, o que é esperado, já que o Estado precisa ter em julho 50% da cana da safra colhida para mitigar os riscos de geada nas lavouras. "Nessa entressafra, o mercado tenderá a olhar estoque apertado. A cana está atrasada, dificilmente veremos safra em março. O estoque apertado significará subida no preço do etanol", completou Luiz Carlos Corrêa Carvalho, da Canaplan Consultoria.