CANA-DE-AÇÚCAR

Etanol deve subir na entressafra

Longa estiagem em 2017 prejudicou o desenvolvimento das lavouras

Agência Estado
06/01/2018 às 23:03.
Atualizado em 28/04/2022 às 02:35
Estoque de passagem de etanol entre as safras será de 1,4 bilhão de litros (Del Rodrigues)

Estoque de passagem de etanol entre as safras será de 1,4 bilhão de litros (Del Rodrigues)

Segunda-feira, 8 de janeiro de 2018 O Brasil tem estoques justos para atender o consumo de etanol durante a entressafra, que termina em meados de março, e os preços nas bombas vão depender da demanda neste que é período de férias em boa parte do País. O equilíbrio tende a deixar os preços estáveis, mas vale lembrar que não haverá aumento antecipado de oferta e, se a demanda se aquecer, os preços do biocombustível tendem a subir. A longa estiagem no último ano prejudicou o desenvolvimento das lavouras de cana-de-açúcar no País e impedirá a colheita da cultura antes do início oficial da próxima safra, de 2018/2019. Para o consumo, fatores como o preço externo da gasolina, a taxa de câmbio e a atividade econômica também influenciam e este cenário ainda não está claro. O presidente da Datagro Consultoria, Plínio Nastari, estima que o estoque de passagem de etanol entre as safras 2017/2018 e 2018/2019, em 1º de abril, será de 1,4 bilhão de litros, volume superior ao de igual período do ano passado. No entanto, a demanda pelo etanol pode crescer com a melhora da competitividade do biocombustível diante da gasolina. "Isso pode ajudar a sustentar os preços do etanol, mas tudo vai depender das cotações da gasolina no mercado internacional e do repasse dos preços nas bombas", disse Nastari, se referindo à política de preços da Petrobras, de ajustes diários às distribuidoras a depender do comportamento do petróleo. Tanto os preços da gasolina quanto os do etanol no mercado internacional estão atrelados ao desempenho das cotações externas do petróleo. No fim de novembro, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) anunciou ter acordado com outros países não-membros do cartel em prorrogar o período de corte na produção do combustível fóssil até o fim de 2018. Os integrantes da Opep e outros grandes produtores do óleo, liderados pela Rússia, se comprometeram no fim de 2016 a reduzir a produção de petróleo em cerca de 1,8 milhão de barris por dia a partir dos níveis de outubro daquele ano, em um esforço para retirar o excesso dos estoques globais e reequilibrar a oferta e a demanda. O acordo entrou em vigor em janeiro de 2017 e expiraria em março de 2018. Com a prorrogação no acordo, a perspectiva é de preços sustentados dos combustíveis, inclusive no Brasil. O diretor-comercial e de Logística da São Martinho, Helder Gosling, diz que o petróleo tem sido o principal fator a influenciar os preços domésticos do etanol na bomba e deve continuar a mover este mercado pelos próximos meses. "Para contrabalançar a decisão do Opep, nós temos os estoques mais altos da gasolina nos Estados Unidos", ressalta o executivo, sobre possível pressão nas cotações globais. No mercado interno, o consumo vai refletir a situação da Economia. "Nas férias você tem uma demanda específica, então precisamos avaliar o que vai acontecer neste período. Até as taxas de câmbio são influentes", diz o executivo da São Martinho. "O dólar no nível em que está faz com que as viagens ao Exterior percam parte da atratividade". Optando pelo Turismo Doméstico, o brasileiro mantém aquecido o consumo de etanol. Em uma perspectiva de longo prazo, Gosling acredita que a recuperação na atividade econômica do País tende a puxar o consumo do ciclo Otto, que inclui todos os combustíveis. Isso pode significar mais um sinal de aquecimento na demanda e outro potencial para ajuste nos estoques de etanol.  Estimativa de produtores Nastari e o presidente da União dos Produtores de Bioenergia (Udop), o empresário Celso Junqueira Franco, lembram que o Desenvolvimento Fisiológico da cana está atrasado, o que impedirá uma oferta extra de etanol da maioria das usinas antes da próxima safra no Centro-Sul. "Deveremos ter o fechamento da atual safra com um volume abaixo do estimado por conta do período chuvoso no fim de ano. Com maior demanda, o ajuste de preços é inevitável", disse Junqueira Franco. No Centro-Sul, somente o Paraná deve moer a safra a partir fevereiro, o que é esperado, já que o Estado precisa ter em julho 50% da cana da safra colhida para mitigar os riscos de geada nas lavouras. "Nessa entressafra, o mercado tenderá a olhar estoque apertado. A cana está atrasada, dificilmente veremos safra em março. O estoque apertado significará subida no preço do etanol", completou Luiz Carlos Corrêa Carvalho, da Canaplan Consultoria.

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