SEM DESPERDÍCIO

Estudo mira reúso da água contra a crise hídrica

O trabalho é patrocinado pela Agência PCJ, e atinge a Bacia do Piracicaba

Virginia Alves
16/12/2016 às 11:54.
Atualizado em 28/04/2022 às 04:12

Sexta-feira, 16 de dezembro de 2016 Pensando em alternativas para solucionar parte da crise hídrica que atingiu a região nos últimos anos, foi realizado nesta quinta-feira (15), na Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa), em Campinas (SP), um seminário para apresentar um estudo pioneiro no Brasil, sobre a utilização de água de reúso pelas cidades das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. O estudo, patrocinado pela Agência PCJ, será realizado em uma estação piloto montada dentro da Estação Produtora de Água de Reúso (EPAR-Capivari), em Campinas. Comandado pelo professor Ivanildo Hespanhol, do Centro Internacional de Referência do Reúso da Água, da Universidade de São Paulo (USP), o principal objetivo do estudo é analisar todas as alternativas de utilização, podendo aumentar a disponibilidade hídrica na bacia. O convênio foi assinado no mês de setembro pela Sanasa, Agência PCJ e a Fundação de Estudos e Pesquisas Aquáticas (Fundespa) e terá um investimento de R$ 758 mil. O estudo, realizado pela primeira vez no Brasil e um dos primeiros na América Latina, tem duração de sete meses. A tecnologia será uma grande aliada dos pesquisadores, que acreditam que o estudo pode resultar em grandes feitos para a situação hídrica. “Temos hoje tecnologia para produzir água de altíssima qualidade”, disse Hespanhol. A estação piloto tem uma estrutura com sistemas complementares, a partir dos quais a pesquisa avaliará a melhor performance técnica e econômica para atingir uma qualidade segura da água. “Esse estudo será um passo importantíssimo para vencermos essa crise hídrica, não faltará água se soubermos utilizá-la”, afirmou o presidente da Sanasa, Arly de Lara Romêo. Apesar de o estudo mostrar que o reúso da água é um ponto positivo e que pode ajudar a reverter a situação hídrica, segundo Hespanhol ainda é preciso analisar dois pontos negativos. Um deles é a legislação, que atualmente não permite o reúso da água para abastecimento. “Lugares como a África do Sul, Bélgica, Los Angeles já usam esse sistema alto tecnológico”, afirmou. Ainda de acordo com Hespanhol, a lei não anda de acordo com as necessidades e a mudanças nas regras seria mais um grande passo contra a crise. Além disso, é preciso estudar a educação ambiental na população. Segundo o seminário, a população ainda mantém um preconceito com o reúso da água. “A água não deve ser julgada por seu histórico, e sim pela sua qualidade”, defendeu. “O reúso potável é fundamental. A sustentabilidade do saneamento na Região Metropolitana de São Paulo, por exemplo, depende quase que exclusivamente do reúso da água”, concluiu.

Assuntos Relacionados
Compartilhar
Gazeta de Piracicaba© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por