Piracicaba evolui com negociação entre patrões e empregados
c e mão de obra seguem elevados, enquanto a escassez de trabalhadores qualificados continua sendo um desafio (Divulgação)
Os empresários da Construção Civil estimam que a redução da jornada de trabalho, com manutenção dos salários, tende a majorar em 17% os gastos com mão de obra e, em consequência, o preço final dos imóveis, que deve ter alta média de quase 4%. Os sindicatos que representam as construtoras de Piracicaba e os operários do setor já negociam as tratativas para estabelecer regras dos contratos de prestação de serviço para o período em que entrarem em vigor as novas normatizações legais trabalhistas, e inclusive fecharam reajuste salarial de 5,7% para a categoria.
A projeção sobre o impacto dos gastos com mão de obra foi feita com base em estudo do economista Robson Gonçalves, professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas). Na visão do especialista, as mudanças significativas nas relações trabalhistas exigem dos empreendedores o aumento na produção, e isso demanda um prazo mais dilatado para a adaptação do segmento.
Desde que o tema passou a ser discutido em Brasília, surgem propostas como a flexibilização da jornada, com pagamento por hora e a possibilidade de negociação por meio de acordos coletivos ou individuais. Uma tendência que já é notada em Piracicaba (veja matéria nesta página).
O estudo do professor da FGV foi apresentado na reunião de Conjuntura Econômica do SindusCon-SP de junho. E a Gazeta teve acesso aos resultados essenciais do encontro.
Apesar da apreensão com a alta dos custos da mão de obra, e com a insegurança provocada pela imprevisibilidade dos efeitos da reforma tributária, os empreendedores do segmento fazem um balanço positivo da conjuntura econômica do momento e acreditam na manutenção dos bons resultados.
Crescimento no trimestre
O setor comemora crescimento de 1,3% no trimestre, resultado acima das expectativas. No mesmo período, o saldo líquido do emprego foi superior ao registrado no primeiro trimestre do ano passado, com destaque para o segmento de infraestrutura. O principal movimento observado foi o avanço das vendas, com predominância de unidades vinculadas ao programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). A Sondagem da Construção da FGV mostra que a tendência de aumento do emprego deve se manter.
Os custos com materiais e mão de obra seguem elevados, enquanto a escassez de trabalhadores qualificados continua sendo um desafio para a atividade.
Representatividade
O que é o SindusCon-SP
É a maior associação de empresas da indústria da construção na América Latina. Congrega aproximadamente 300 construtoras associadas e representa cerca de 50 mil empresas de construção residencial, industrial, comercial, obras de infraestrutura e habitação popular, localizadas no estado de São Paulo. Com sede na capital paulista, possui nove diretorias regionais: Bauru, Campinas, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Santos, Santo André, S. José do Rio Preto, S. José dos Campos, Sorocaba e uma delegacia em Mogi das Cruzes. A construção civil representa 3,6% do PIB do Brasil (IBGE/CBIC), e a construção paulista constitui 27,6% da construção brasileira (IBGE).
Desempenho
Setor evolui em Piracicaba com acordos
Os sindicatos que representam as construtoras de Piracicaba e os operários do setor já negociam as tratativas para estabelecer regras dos contratos de prestação de serviço para o período em que entrarem em vigor as novas normatizações legais trabalhistas.
Os primeiros resultados do diálogo aparecem na própria negociação da data-base da categoria, com patrões e empregados chegando a um acordo vantajoso para empregadores e empregados. O detalhe é que o entendimento não dependeu da presença de entidades estaduais à mesa.
Piracicaba, que arregimenta neste setor cerca de 10 mil trabalhadores em mais de 80 empresas, fechou um reajuste salarial de 5,7% para a categoria. O piso profissional ficou estabelecido em R$ 3.072,94, enquanto o piso normativo, para auxiliares, ficou em R$ 2.477,90. O acordo também fez acertos pontuais para pagamento de alimentação, horas extras e participação nos resultados.
A negociação, ainda, traçou regras severas que estabelecem cortes nos repasses para trabalhadores que faltarem sem justificativa ou que assumirem comportamentos inadequados.
O líder sindical Miltinho Costa, do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Construção e Mobiliário de Piracicaba (Siticomp), falou à Gazeta como representante dessa frente de negociações que também envolve a Associação das Construtoras de Piracicaba (Ascopi).
Os ganhos conquistados pela classe, detalha, superaram os obtidos em outras regiões do estado e comprovaram a maturidade de empregados e patrões.
Com relação ao fim da escala 6x1, Miltinho afirma estar certo - e os patrões confirmam isso - que não haverá qualquer imposição ou intolerância no estabelecimento das regras. “Os empregadores da cidade possuem consciência de que o setor pode assimilar qualquer nova regra, sem prejuízo ao faturamento”, considera. “A qualidade de vida dos trabalhadores passou a ser um ativo de cada empresa, que passa a investir na manutenção de um quadro de funcionários satisfeitos.”
E, muito além das folgas, o setor passa a concentrar suas atenções em temas igualmente essenciais, deixados de lado ao longo da história. Ele cita investimentos previstos na modernização dos equipamentos de segurança e na capacitação profissional dos trabalhadores. “Entramos em uma fase de busca de excelência no setor”, afirma.