MAIS GANHOS

Economista prevê 'recuperação lenta'

A integração do setor favorece a cidade, observa

José Ricardo Ferreira
03/01/2018 às 09:13.
Atualizado em 28/04/2022 às 02:37
Crocomo entende que Piracicaba terá destaque positivo na Economia, em 2018 (Del Rodrigues)

Crocomo entende que Piracicaba terá destaque positivo na Economia, em 2018 (Del Rodrigues)

Quarta-feira, 3 de janeiro de 2018 O ano de 2017, certamente, não deixou boa impressão para o brasileiro. Não há dúvidas de que a torcida é por um 2018 bem melhor. Que seja um ano de mais ganhos do que perdas na Economia do dia a dia do povo e na Macroeconomia. Que a inflação continue sob controle e que o emprego volte a crescer. No fim do primeiro trimestre do ano passado, haviam 14,2 milhões de desempregados contra 12,7 milhões em novembro: houve uma recuperação de vagas, e que continue assim. Que as reformas estruturais sejam feitas com consciência e não empurradas com a barriga sob a égide das "políticas de acordos". Para dar luz às expectativas para 2018, a Gazeta ouviu o renomado economista Francisco Constantino Crocomo, 63 anos de idade. Professor na Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), Crocomo é doutor em Economia Aplicada pela Esalq-USP e coordenador do Banco de Dados Socioeconômicos de Piracicaba e Região do curso de Economia da Unimep. Abaixo, os principais tópicos da entrevista: Gazeta: No início do ano, muitas contas e impostos para pagar. Como enfrentar o IPTU, IPVA, mensalidade escolar etc.? Francisco Constantino Crocomo: Os anos estão cada vez mais difíceis. Realmente no inicio do ano devem ser pagas a maior parte de nossas obrigações. Claramente estes pagamentos devem já estar sendo planejados ao longo do ano. O correto é toda família participar do orçamento. Alguns reservam uma parte do 13º para quitar as dívidas. Para atenuar o pagamento inclusive alguns conseguem pagar à vista e com desconto. Entretanto, cada família tem seu orçamento e em alguns casos é necessário o parcelamento. Por um lado é muito importante não esquecer destas parcelas. E buscar ampliar a renda familiar sempre deve estar no planejamento. Neste aspecto, podemos afirmar que a Prefeitura de Piracicaba, por meio da sua Secretaria de Emprego e Renda, oferece várias oportunidades de cursos para qualificação profissional, bem como mantém banco de vagas para diversas profissões. Gazeta: Como deve se comportar a economia de Piracicaba nos primeiros meses do ano novo? Crocomo: A expectativa é que nos primeiros meses de 2018 não tenhamos grande crescimento na Economia da cidade, porém podemos esperar recuperação lenta, a exemplo de 2017, mas em maior ritmo. Esperamos que o setor de Transformação Industrial continue em crescimento, mesmo em baixo ritmo, e aos poucos vá impactando os outros setores como Construção Civil, Comércio, Serviços e outros. A Agroindústria em Piracicaba é uma realidade, especialmente a de biocombustível. Ela apresenta uma dinâmica própria, mas também depende de prioridade do governo federal para este setor. Claro que Piracicaba sofre os impactos desta crise da Economia brasileira. Entretanto a atividade econômica da cidade é peculiar e muito dinâmica. No ano de 2017 conseguimos manter um saldo de emprego positivo, em média de 100 pessoas a mais por mês. Porém, muito abaixo de anos anteriores. Para lembrar, em 2015 e 2016 tivemos saldo negativo no emprego. Desta forma, esperamos um ano de 2018 melhor que 2017, na Economia de Piracicaba, pois apresenta todos os setores econômicos com boa dinâmica e integrados, ou seja, a Indústria, o Comércio, os Serviços, a Construção Civil, a Agropecuária e o Setor Público estão em sintonia. Destaca-se, também, que é uma cidade com grande capacidade de Exportação, o que de certa forma compensa o problema do consumo interno vivido pelo Brasil. Gazeta: Como fica o emprego em 2018? Crocomo: A palavra chave para que os empregos retornem aos patamares de 2013 e 2014, é que as expectativas dos empresários e consumidores melhorem e o governo passe a investir em infraestrutura, bem como as empresas estatais realizem parceria produtiva com o setor privado. Pelo lado das empresas, só vão melhorar se vislumbrarem um aumento do consumo. A melhora no consumo pode levar ao investimento em Infraestrutura e ampliação ou construção de ativos produtivos. A pessoa só consome se estiver empregada. Mas vivemos momentos difíceis, os acordos políticos não trazem nenhuma confiança aos agentes econômicos. A história do emprego nesse século mostra uma taxa de desemprego, em 2003, de 12,3%, experimentando uma grande queda até 2014 e chegando a 4,8%. Entretanto, isso não foi sustentado. Voltamos a mais de 12% em 2017, justamente por falta de uma política mais articulada. O que experimentamos foram medidas totalmente desarticuladas desde 2013 para a frente. Gazeta: É ano de eleições. Qual o impacto na Economia? Crocomo: Com a polarização existente na Nação, podemos prever a continuidade da política de acordos que continuará prejudicando a Economia. Há muito tempo não temos um governo federal coeso, a começar pela troca dos mandatários dos Ministérios e outros cargos chaves, todos provenientes de acordos políticos. Em 2018, o cenário fica mais complicado ainda com as eleições de outubro. Infelizmente, o foro privilegiado será o real motivo de reeleição para muitos políticos. É preciso ficar atento e estudar as propostas. Entretanto, essa crise política com impactos em nossa Economia pode contribuir no crescimento da capacidade da população entender as propostas dos candidatos. Para que isso ocorra, as pessoas devem ter muita cautela porque as informações deverão se multiplicar nas redes sociais. Identifique o que é falso e busque uma visão clara do que pode ser bom para a nação. Gazeta: A inflação continuará em queda? Crocomo: Dificilmente a inflação terá uma queda em 2018, os aumentos dos preços da gasolina, energia elétrica e do gás deverão impactar os índices inflacionários. As variáveis que mantiveram a inflação em queda em 2017 foram: o baixo consumo, dado ao grande volume de desempregados, e mais recentemente a queda do preço dos produtos de alimentação. Entendemos que a inflação não deverá cair em 2018, pois deveremos sentir o impacto dos constantes aumentos na energia e combustível. Bem como alguma melhora no mercado de trabalho, que deverá contribuir no aumento do consumo. Também não se sabe se os preços dos produtos agrícolas para alimentação interna no Brasil continuarão a cair, ou ficarão estabilizados no mesmo patamar do final de 2017. O próprio relatório trimestral do Banco Central estima que a inflação de 2017 vai ficar próximo de 2,78% e a previsão para fechar 2018 é de 3,96%. Ressalta-se que as previsões anteriores estavam em maiores patamares do que as atuais. Gazeta: Que comportamento esperar do governo Temer? Crocomo: Pelo lado do Estado, representado por este governo, temos a política de corte de gastos e a implementação de inúmeras reformas, no sentido de que esse governo possa promover investimentos também. Mas de forma equivocada ele tem cortado gastos em Educação e Tecnologia, o que deverá prejudicar, no futuro, o crescimento e desenvolvimento da nação. As reformas recém-aprovadas e outras a serem aprovadas não se apresentam coordenadas e discutidas de forma ética e séria com toda a sociedade. Carecemos, há muito tempo e incluindo governos anteriores, de políticas de médio e de longo prazos. Que possam promover um crescimento com desenvolvimento e melhor distribuição de renda através de melhor Educação, Saúde e demais demandas sociais.

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