CONTRA ABUSOS

Docentes da Unimep e Semdes lançam cartilha infantil

Houve intervenção cênica baseada nos relatos de uma jovem brasileira

Marcelo Rocha
22/05/2017 às 10:03.
Atualizado em 28/04/2022 às 03:17
Grupo que participou do encontro realizado no campus Taquaral da Unimep (Antonio Trivelin)

Grupo que participou do encontro realizado no campus Taquaral da Unimep (Antonio Trivelin)

Segunda-feira, 22 de maio de 2017 A luta contra a violência e o abuso de crianças e adolescentes foi o tema de um encontro, realizado na manhã da última sexta-feira (19), na Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep). Na ocasião, houve o lançamento oficial de uma cartilha de enfrentamento contra o abuso e a exploração infantil, denominada 'Aprendendo Com Maria e João', e uma intervenção cênica (interpretada pela contadora de histórias, Carmelina Toledo Piza), baseada nos relatos da jovem brasileira, de apenas 16 anos de idade, que recentemente cometeu suicídio. Na carta de despedida, ela diz que era violentada pelo pai e que a mãe era omissa quanto ao crime. Participaram do evento pessoas ligadas à rede de enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes, entre elas profissionais dos Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas), de entidades sociais, do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), alunos de Psicologia e outros interessados. A cartilha é fruto do Plano Municipal de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, projeto de Extensão desenvolvido por docentes da Unimep, em parceria com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Semdes), conta Dagmar Silva Pinto de Castro, professora do Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGA), da Faculdade de Gestão de Negócios da Unimep. O material será distribuído pela Semdes em equipamentos da rede pública (escolas e outros locais). E, em breve, também pode ser baixada (download) no site do Observatório de Políticas Públicas Dirigidas à Criança e ao Adolescente de Piracicaba/Ocap: www.unimep.br/ocap. O livrinho, salienta Dagmar, é um material que, de modo lúdico, orienta e convida as crianças a se perceberem e a identificarem possíveis situações de risco. “É uma cartilha focada nas crianças, tem uma linguagem simples, é interativa, lúdica e tem brincadeiras. E é uma das primeiras cartilhas que inclui os crimes atuais relacionados a crianças envolvendo, por exemplo, as redes sociais e a internet”, comenta a coordenadora do projeto de extensão. “Agora, falta elaborar um material técnico para os profissionais e educadores que trabalham na rede utilizá-la”, acrescenta. A abertura do encontro teve uma encenação dramática, na qual Carmelina releu, na íntegra, a carta da jovem maranhense suicida. Num palco quase escuro, de costas para o público, e acompanhada por uma batida contínua de bumbo (simulando o pulsar cardíaco), ela interpretou “a morte”. “A minha personagem, a morte, dialogava com a jovem. Foi muito forte, quando cheguei em casa precisei restabelecer minhas forças. Mas este é o momento no qual todos nós temos que nos unir para salvar essas crianças e jovens”, diz.

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