Outra estratégia é resgatar a atmosfera original da banda
Sexta-feira, 20 de abril de 2018 Se tudo der certo, a nova diretoria da Associação dos Amigos da Sapucaia (Asas) vai retomar o tradicional desfile popular em 2019 com uma gestão mais profissional, com as contas zeradas, com mais segurança e em novo endereço - provavelmente na avenida Renato Wagner. A luta para ressuscitar a festa, que está com a imagem desgastada - em decorrência de problemas recentes e do cancelamento neste ano, em cima da hora - já começou, garantiu Cristiano Nardon, o novo presidente da entidade. Depois do cancelamento do desfile, a Asas amargou um prejuízo de cerca de R$ 15 mil, valor que havia sido arrecadado de maneira antecipada para a montagem de uma praça de alimentação. Boa parte da dívida já foi liquidada, mas ainda há um rescaldo de R$ 5 mil, diisse Nardon, que assumiu o cargo após a renúncia do então presidente da Asas, Renato Sampaio. “Para zerar essa dívida, e começar uma nova história depois do alvoroço, vamos fazer alguns eventos”, declarou Nardon, que disse estar enfrentando “um problema gigantesco, com cobrança na rua e até represália”. “Esperei a poeira baixar e voltei a conversar com todo mundo para entender o que aconteceu, por que houve o cancelamento. Descobri que todos querem a continuidade da Sapucaia, o poder público, a Polícia Militar e a população”, afirmou. Em um desses encontros, Nardon foi informado pela Prefeitura que o desfile não poderia mais ocorrer na rua Moraes Barros, no Bairro Alto. “Existe um abaixo-assinado com mais de 300 moradores que não querem o desfile na região”, contou. O primeiro passo desta retomada, disse Nardon, será a preparação de uma feijoada para arrecadar fundos, que será servida no dia 12 de maio, ao meio-dia, no Master Chopp, localizado à avenida Beira Rio, 1.267, com música a cargo do Bloco 'Pé na Jaca' e do cantor sertanejo, Alan Ribeiro. “E durante a Copa já queremos colocar um telão na avenida Renato Wagner, ou uma tenda, e um trio elétrico para animar a turma. Mas isso ainda está em estudo. E estamos pensando num carnaval fora de época, em outubro” declarou. “Agora, a nova casa da Sapucaia deve ser a avenida Renato Wagner. Essa é uma conversa bem evoluída com a prefeitura. Se acontecer, queremos plantar uma muda de sapucaia na Renato Wagner, para simbolizar esse renascimento”. Outra estratégia da Asas é resgatar a atmosfera original da Sapucaia. Para tal, foi criado o slogan: “Mesmas Raízes, Novas Ideias” que será associado aos eventos da Sapucaia. “Queremos resgatar as raízes da festa. Essa frase resume tudo o que a gente quer hoje em dia”, comentou Débora Sanches, secretária-geral da Associação. A Sapucaia cresceu e hoje em dia ela precisa de uma visão empresarial, avaliou César Pereira, o tesoureiro-geral da Asas. “Minha função é tratar a Sapucaia como uma empresa, embora seja uma entidade sem fins lucrativos”, afirmou. “E também vamos iniciar um trabalho de conscientização junto aos foliões, no que diz respeito ao comportamento”. De acordo com Pereira, o custo estimado para botar a Sapucaia na rua gira em torno de R$ 50 mil a R$ 60 mil. “Um evento para foliões não pode depender tanto do Estado. Pode depender de um apoio, como o fornecimento de banheiro químico, organização e Segurança Pública, mas não financeiramente”, comentou. “Todas essas coisas são uma saída para não deixar essa tradição morrer”, frisou Nardon. “Se elas não virarem, pode ter certeza, não vai ter mais Sapucaia”.