
Polícia Civil afirma que novas fases da investigação não estão descartadas, já que há indícios de que o grupo atuava há anos (Polícia Civil do Estado de São Paulo)
A Polícia Civil deflagrou a Operação Fake AVD para desarticular uma organização criminosa especializada no golpe do falso advogado, que atingiu vítimas em Piracicaba e em diversos estados. A investigação começou após denúncias de moradores da cidade que relataram terem sido contatados por supostos advogados que, munidos de dados reais de processos, solicitavam depósitos para falsas pendências judiciais. O grupo acessava indevidamente o sistema e-SAJ, obtendo informações sigilosas que davam credibilidade ao golpe.
A operação cumpriu 26 mandados de busca e apreensão em seis estados e no Distrito Federal. A quadrilha era estruturada em núcleos distintos: o setor de execução, responsável por abordar as vítimas, atuava em Brasília; o núcleo financeiro, que recebia e distribuía os valores, operava em Goiânia; e a parte de lavagem de dinheiro se espalhava por Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte. As investigações apontam que o esquema movimentava cerca de R$ 200 mil por dia, valor obtido por meio de dezenas de vítimas que acreditavam estar quitando dívidas judiciais.
A Polícia Civil destacou que o grupo utilizava linguagem técnica e informações precisas dos processos, o que dificultava a identificação do golpe. Em alguns casos, os criminosos enviavam documentos falsificados e instruções detalhadas para convencer as vítimas a realizar transferências imediatas. A atuação interestadual e a divisão de tarefas indicam um esquema profissional, com forte capacidade de acessar dados e manipular informações.
A operação também busca identificar como o grupo obteve acesso ao sistema judicial e se há participação de terceiros na obtenção dos dados. As apreensões incluem celulares, computadores, comprovantes de transações e documentos que podem ampliar o rastreamento das movimentações financeiras. A Polícia Civil afirma que novas fases da investigação não estão descartadas, já que há indícios de que o grupo atuava há anos e mantinha uma rede de contatos para facilitar o golpe.