DOENÇAS E VETORES

CTI desenvolve sensor a laser para identificar insetos

Estudo está em fase de desenvolvimento pelo Centro de Tecnologia

Inaê Miranda
14/01/2018 às 00:34.
Atualizado em 28/04/2022 às 02:32
Antônio Amaral mostra protótipo criado para detectar insetos durante o voo (César Rodrigues/AAN)

Antônio Amaral mostra protótipo criado para detectar insetos durante o voo (César Rodrigues/AAN)

Segunda-feira, 15 de janeiro de 2018 A epidemia de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti e o recente surto de febre amarela tem levado os pesquisadores a se debruçarem sobre as Arboviroses em diferentes frentes de estudo, com o objetivo de compreender melhor as doenças e seus vetores e encontrar formas de combatê-los. Um estudo promissor em fase de desenvolvimento pelo Centro de Tecnologia da Informação (CTI), Renato Archer, identifica, através de uma barreira luminosa, as características de diferentes tipos de insetos voadores, de acordo com o batimento das asas. Além de detectar se é uma borboleta ou uma mosca, por exemplo, a tecnologia indica o gênero. Os pesquisadores, que buscam parcerias, partem, agora, para a identificação de insetos perigosos, como o Aedes, e formas de abatê-los. Uma das possibilidades de se fazer isso seria por meio de luz da alta intensidade. A barreira luminosa ou cerca fotônica são dispositivos que podem ser utilizados para monitorar e catalogar a presença de mosquitos ou outros insetos voadores em uma determinada área de interesse, identificando a espécie e o gênero, quando este passa pela área de detecção. A utilização da cerca fotônica envolve a pesquisa e desenvolvimento de circuitos opto eletrônicos, sistemas de varredura a laser e sensores para detecção de diferentes tipos de insetos. De acordo com os pesquisadores, os métodos tradicionais de controle de insetos baseiam-se, na sua maioria, em inseticidas químicos, que podem causar danos a humanos e a animais, além de promover o aumento gradual da resistência dos insetos vetores aos próprios inseticidas. O protótipo desenvolvido pelo pesquisador, Antônio Amaral, com o apoio de bolsistas cria uma zona de identificação por meio de leds infravermelhos ou laser para emissão de luz a serem detectados por um conjunto de fotorreceptores. Amaral explica que o espaço entre os emissores e os fotorreceptores formam a zona de identificação. O bater de asas do inseto altera a recepção de luz nos fotorreceptores e essa alteração gera sinais elétricos. O sinal gerado passa por um filtro para que somente as frequências relacionadas ao bater de asas sejam analisadas. “Quando o inseto passa, ele deixa um rastro de batida de asa”. Usando este método, o sistema pode distinguir os tipos de mosquitos, borboletas e abelhas. Entre outras avaliações feitas pelo sistema para identificar o inseto está a quantidade de batida de asas por minuto.  O CTI já desenvolveu um primeiro protótipo de cerca fototônica no qual foi utilizada a mosca-das-frutas (drosófila) para validar o sistema, por ser um inseto abundante e que não apresentar riscos. De acordo com o pesquisador, um uso potencial das cercas fotônicas é criar uma cerca virtual que detecta insetos quando estes cruzam o seu plano, podendo ser utilizado na identificação do Aedes Aegypti e em outras espécies de insetos voadores e também auxiliar no controle de outras pragas na Agricultura. Uma aplicação possível na Agricultura é a coleta de informações dos insetos que acessam o espaço cultivado, monitoramento remoto de pragas. Na zona urbana, o sistema teria possibilidade de aplicação tanto pelo sistema de vigilância como para uso doméstico. Um passo seguinte à identificação será o estudo de formas de abate dos insetos nocivos. Para isso, o sistema da cerca fotônica acompanhará o voo do inseto, executando uma verificação de segurança para garantir que não há pessoas ou animais na área de varredura e, em seguida, será possível ativar um laser de potência para eliminar o inseto que represente uma ameaça. “Queremos fazer com que a barreira jogue luz de potência, com uma quantidade de energia mais forte, queimando ele e impedindo que circule por aquela região. Queremos fazer isso também para o controle de pragas”, explicou. De acordo com o pesquisador, alguns sistemas como esse vêm sendo desenvolvidos no mundo, utilizando câmeras e sistema sofisticados de mira para o abate. O CTI está buscando uma solução que não requeira o sistema de mira, para reduzir custos. Os resultados da pesquisa são promissores e o CTI busca apoio da iniciativa pública e privada para dar os próximos passos. Os pesquisadores e institutos de pesquisa interessados devem procurar o CTI.

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