Atualmente, 21 porcos e 18 coelhos são utilizados no ensino
Quinta-feira, 14 de dezembro de 2017 A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) prestou esclarecimentos sobre o uso de animais em salas de aula durante audiência da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) de maus-tratos contra animais, realizada na Assembleia Legislativa (Alesp) na manhã desta quarta-feira (14). Atualmente, 21 porcos e 18 coelhos são utilizados no ensino de procedimentos médicos que envolvem risco iminente de morte. O professor Wagner José Fávaro, do Instituto de Biologia, que depôs na CPI, destacou que do encontro surgiu uma parceria de intercâmbio de conhecimento entre instituições. Além disso, informou que a Comissão de Ética da Unicamp solicitou um levantamento à Associação Brasileira de Ensino Médico (Abem) sobre o uso de métodos substitutivos em todas as Faculdades de Medicina do País com o objetivo de conhecer o que há de inovação. A CPI é presidida pelo deputado Feliciano Filho (PSC), que questionou o professor sobre os procedimentos realizados pela Unicamp que implicam em uso de animais e sobre a possibilidade de substituição. “Ele elencou quatro itens, que não teriam métodos substitutivos na Universidade — drenagem de tórax, sutura de alças intestinais, contenção de sangramentos de órgãos retroperitoniais e janela cardíaca para controle de ferimentos graves. Mas para todos esses quatro aspectos a doutora Odete Miranda, cardiologista e professora da Faculdade de Medicina do ABC, disse que há métodos substitutivos. Gostei da postura do professor, que teve humildade de ouvir e foi convidado a ir à Faculdade de Medicina do ABC para ver como é feito lá e quem sabe transferir novas tecnologias para Unicamp”, afirmou. Fávaro classificou a audiência como produtiva, já que promoveu a troca de experiências entre a Unicamp e outras universidades e foram feitos alguns encaminhamentos. “Fui questionado se a Unicamp utiliza animais e métodos alternativos. Sim, ainda utilizamos animais, porcos e coelhos, mas muito pouco, no ensino do curso de Medicina e da Residência Médica. Em outros cursos não utilizamos mais animais, empregamos métodos alternativos". Segundo o professor, os alunos de Medicina estudam procedimentos que todo médico deve saber para atender os casos em que há risco iminente de morte. Ele ressaltou que do ano passado para cá a Unicamp reduziu em mais de 50% o número de animais utilizados no ensino e ponderou que não há intenção nem razão para a Universidade usar animais, se existem métodos alternativos. O professor disse que foi firmada uma parceria com a Faculdade do ABC e uma comitiva da Unicamp deverá conhecer os métodos utilizados na instituição e, se forem eficazes, “com certeza” a Unicamp adotará. “Não há razão para usar animais se existem alternativos. Se eles existem buscaremos e tentaremos aplicar”, disse. Ele acrescentou que apresentou na audiência que a Comissão de Ética da Unicamp entrou em contato com a Aben para que seja feito levantamento de todas as Faculdades de Medicina no Brasil que fazem uso de animais, quais substituíram por método alternativos. “A Aben fará o levantamento e nos comunicará para que a gente possa entender o que existe de inovação nas mais de 300 Faculdades de Medicina que existem no País, pois é um problema importante que temos que enfrentar e precisamos nos atualizar”, disse o professor. A CPI dos maus-tratos apura, além do uso de animais no ensino, a matança de capivaras e a caça a javalis. Segundo Feliciano, com o recesso na Câmara dos Deputados, os trabalhos devem ser retomados em fevereiro.