A iminente escolha de Joe Biden pela companheira de chapa para desafiar Donald Trump em 3 de novembro gerou uma especulação sobre os nomes de quem poderá ser a primeira mulher vice-presidente dos Estados Unidos
A iminente escolha de Joe Biden pela companheira de chapa para desafiar Donald Trump em 3 de novembro gerou uma especulação sobre os nomes de quem poderá ser a primeira mulher vice-presidente dos Estados Unidos.
Embora alguns estudos mostrem que a decisão terá pouco impacto nas intenções de voto de Biden, que supera o presidente republicano nas pesquisas, outros acreditam que poderá fazer a diferença, mobilizando mais eleitores negros ou do Meio Oeste que votaram em Trump em 2016.
Confira os principais nomes:
"Minha mãe costumava me dizer: Kamala, talvez você seja a primeira a conquistar muitas coisas. Assegure-se de não ser a última", gostava de repetir a senadora de 55 anos durante as primárias democratas.
Desde o início de sua carreira, esta filha de imigrantes da Jamaica e da Índia, rompeu barreiras. Depois de dois mandatos como promotora de San Francisco (2004-2011), foi eleita duas vezes promotora da Califórnia (2011-2017), tornando-se a primeira mulher, mas também a primeira pessoa negra, a chefiar os serviços jurídicos do estado mais populoso do país.
Em seguida, em janeiro de 2017, foi empossada no Senado em Washington, tornando-se a primeira mulher com raízes no sul da Ásia a chegar à Câmara alta na História dos Estados Unidos, e a segunda mulher negra no Senado americano.
Harris cresceu em Oakland, na Califórnia progressista dos anos 1960, orgulhosa da luta pelos direitos civis de seus pais.
Ela conhece bem o candidato democrata e era próxima do filho dele, Beau Biden, que morreu de câncer em 2015. Mas a também pré-candidata democrata surpreendeu ao atacar duramente Biden no primeiro debate democrata, em 2019, questionando suas posições sobre políticas para acabar com a segregação racial na década de 1970.
Na ocasião, contou emocionada que, quando era menina, viajava em um dos ônibus que levavam estudantes negros a bairros brancos. O intercâmbio a fez disparar nas pesquisas, mas rapidamente recuou, enquanto tentava definir o rumo de sua candidatura.
Depois de abandonar as primárias, em dezembro, declarou apoio a Biden em março. Mas alguns aliados do ex-vice-presidente de Barack Obama não perdoam a senadora por não ter se retratado o suficiente de suas críticas e advertem para uma companheira de chapa "ambiciosa" demais, uma avaliação considerada machista pelos partidários dela.
Não há dúvidas sobre a experiência de Susan Rice: embaixadora nas Nações Unidas e depois assessora de segurança nacional durante a presidência de Barack Obama, ela estaria pronta desde o primeiro dia para ajudar Biden em questões delicadas de política externa.
Com fama de não ser sempre muito diplomática, esta mulher afro-americana de 55 anos aprendeu a lutar com Rússia e China no Conselho de Segurança da ONU de 2009 a 2013 e, por isso, saberia mostrar a firmeza que o candidato democrata quer encarnar contra adversários estratégicos dos Estados Unidos.
Segundo diplomatas, lixo ("crap") e merda ("bullshit") fazem parte de seu vocabulário habitual. Esta especialista em África, marcada pelo genocídio de 1994 em Ruanda, que presenciou impotente no governo de Bill Clinton, também conhece perfeitamente o funcionamento da Casa Branca.
Biden "tem uma ótima relação com ela, trabalharam juntos durante oito anos muito, muito de perto e isto significa muito para alguém como ele", disse David Barker, professor da American University, em Washington.