A Raízen esclarece que 'o modelo de Colônias foi criado no passado'
Moradores, oficiais de Justiça e advogados em frente à Colônia Estação (Divulgação)
Quinta-feira, 23 de março de 2017 A retirada dos moradores da chamada Colônia Estação, na qual residem funcionários da Usina Costa Pinto, do grupo Raízen, começou na manhã desta quarta-feira (22), mas logo foi interrompida. Algumas famílias do local, que protestaram após a chegada de caminhões de mudança e de oficiais de Justiça, conseguiram protelar, temporariamente, a desocupação da área que será devolvida ao proprietário. O soldador Luís dos Santos Cruz, 47 anos de idade, funcionário da Usina desde 2008 e residente na Colônia há seis anos, critica a maneira como a ordem de despejo foi cumprida. Segundo ele, não houve tempo hábil para que as cerca de 10 famílias que moram no lugar se mobilizassem para conseguir outras moradias. “Estão querendo despejar o povo sem nos dar assistência. No mês passado, comunicaram que eu deveria deixar a casa e também fui intimado para uma audiência com o juiz, que será agora no dia 27 de março”, afirma o soldador. “A gente sabe que a terra e os imóveis são da empresa, mas eu acho que eles tinham que, no mínimo, nos oferecer uma moradia temporária até ser feita essa transição”, diz Cruz. Em nota enviada pela assessoria de imprensa, a Raízen esclarece que “o modelo de Colônias foi criado no passado para solucionar a dificuldade de acesso de funcionários às usinas, já que as unidades de produção estavam localizadas em regiões muito distantes dos centros urbanos”. Contudo, hoje elas perderam sua funcionalidade, já que houve o crescimento da cidade e a diminuição das distâncias. A empresa ressalta que “os moradores da Colônia Estação vêm sendo notificados desde 2015 e tratados com respeito, algo que a Raízen preza não só com seus funcionários, mas também com moradores das regiões próximas as suas unidades”. “Como as famílias não saíram, a empresa entrou com uma medida judicial para que o terreno possa ser devolvido ao proprietário. Importante ressaltar, contudo, o empenho da Raízen em buscar uma solução amigável antes de exercer o mandado de reintegração ou liminar expedido”, frisa a nota.