Patrimônio em abandono

Centro de Documentação Negra sofre com descaso

A redação da Gazeta recebeu imagens que mostram mato pelos corredores externos, lixo acumulado, telhas danificadas e goteiras em diversos pontos

Rogério Verzignasse
24/06/2026 às 06:55.
Atualizado em 24/06/2026 às 06:55

Prédio deteriorado e lixo acumulado: abandono (Divulgação)

O Centro de Documentação, Cultura e Política Negra (CDCPN), localizado na rua Luiz de Queiroz, foi inaugurado há duas décadas em prédio doado ao Município. Hoje, porém, a situação do imóvel é considerada deplorável. A redação da Gazeta recebeu imagens que mostram mato pelos corredores externos, lixo acumulado, telhas danificadas e goteiras em diversos pontos.

A inauguração oficial aconteceu em 2007, marcando a entrega da sede própria da instituição criada em 1992, com o objetivo de preservar a memória afrodescendente e combater o racismo na cidade. A proposta central era reconhecer os valores da comunidade negra, promover o debate sobre igualdade racial e reunir registros históricos.

Em 2014, o centro recebeu o nome “Eva Iltez Aparecida Luiz”, em homenagem à funcionária pública que atuou por mais de 20 anos e foi precursora nas lutas da população negra. Eva presidiu o Conselho do Centro de Documentação, Cultura e Política Negra por três mandatos e desempenhou diferentes funções na Secretaria Municipal da Ação Cultural, incluindo a Biblioteca Municipal, o Teatro Municipal Dr. Losso Netto e a Casa do Povoador, espaço que chefiou nos últimos anos de sua vida.

O CDCPN se tornou órgão público municipal vinculado à Secretaria Municipal de Ação Cultural. Noedi Monteiro, historiador e um dos fundadores do centro, critica a falta de investimentos na infraestrutura do prédio. Segundo ele, as infiltrações obrigaram a transferência do acervo para o Engenho Central. A placa com o nome da homenageada e sua foto permanecem no prédio histórico, deteriorando-se com o tempo. “A comunidade negra está muito chateada com a falta de investimentos da Prefeitura. É um acervo arquitetônico puro, doado pelo saudoso dr. Jauro Matos, que o Município não valoriza. O espaço tem potencial para abrigar um centro de cultura imponente”, afirma.

Prefeitura promete visita técnica

A Secretaria Municipal de Cultura informou que, desde maio, realiza acompanhamento contínuo dos equipamentos culturais e espaços de relevância histórica, em conjunto com a Secretaria de Obras, Infraestrutura e Serviços Públicos. As equipes técnicas têm feito visitas para levantar informações que subsidiem projetos e orçamentos.

Entre os locais incluídos nesse cronograma está o imóvel da rua Luiz de Queiroz, tombado como patrimônio municipal pelo Codepac (Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural). O espaço, anteriormente utilizado pelo Centro de Documentação, Cultura e Política Negra e pela Coordenadoria Setorial de Promoção da Igualdade Racial e Étnica, funciona há anos nas dependências do Engenho Central.


 

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