PRAÇA CENTRAL

Buracos causam a queda de cadeirante

Maria dos Santos levava em seu colo o neto de um ano e três meses

Adriana Ferezim
adriana.ferezin@gazetadepiracicaba.com.br
14/12/2017 às 10:47.
Atualizado em 19/04/2022 às 01:02

Quinta-feira, 14 de dezembro de 2017 Feridas no joelho e um pequeno hematoma roxo no rosto são marcas que Maria José Pereira dos Santos, 78 anos de idade, terá ainda pelos próximos dias e que a farão lembrar como os cadeirantes e os idosos são desrespeitados no seu direito de ir e vir. Por causa de um buraco na calçada da praça José Bonifácio, ela sofreu uma queda que poderia ter consequências piores, porque levava em seu colo o neto de um ano e três meses. Como se não bastasse o acidente que sofreu, pelo fato de ser cadeirante, também teve dificuldade de ingressar em uma agência bancária no local. Pela manhã, ela, a filha Joanésia Góes, 51 anos de idade, e os netos, foram ao Centro, buscar os novos óculos de dona Maria. Mas a alegria pela conquista do novo acessório, durou pouco. Após a ótica, o plano era irem ao banco, onde já tinha agendado atendimento. No caminho para a rampa de acesso da calçada, localizada perto da esquina com a rua Prudente de Moraes, havia um buraco. "Eu estava empurrando a cadeira de rodas e ela estava segurando o bebê, que é meu sobrinho. Não vi o buraco na calçada. A roda entrou nele, deu o solavanco e como ela não tem as pernas, caiu. Na queda ela ficou em cima da criança. Ele está bem e minha mãe também", comentou. Os comerciantes locais que presenciaram o acidente, correram para ajudar, principalmente o vendedor de caldo de cana, porque o buraco na calçada fica quase ao lado do seu ponto de vendas. Outro comerciante que também se aproximou, comentou que queda de idosos é constante na praça por causa dos buracos. "Na semana passada, uma senhora se desequilibrou em um buraco na calçada, mas do outro lado da praça e caiu. Lá o piso está com várias placas soltas. Essa senhora quebrou uma costela. Toda semana tem algum acidente com idoso aqui. Trabalho na praça todos os dias e sempre acontece", afirmou o vendedor Gleberson Fernandes. Manutenção A Secretaria Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Sedema) responsável pela manutenção da praça, ressaltou que o buraco que provocou o acidente de dona Maria deverá ser consertado na próxima semana. A pasta mantém um funcionário responsável pela zeladoria do local e informou que "de acordo com os pedidos que recebe, os reparos são executados. No final de 2016 a Sedema fez manutenção geral do piso", informou. A Secretaria tem conhecimento dos problemas no piso da praça. "Conforme vistoria feita no local nas imediações da Caixa Econômica Federal, foram constatados alguns afundamentos no piso, devido à passagem de algum veículo. Os buracos serão consertados na próxima semana", diz a nota da Sedema, que afirma não haver previsão sobre a retomada do projeto de reforma da praça. "Depende de aprovação de Orçamento, levando em consideração a queda dos recursos orçamentários". Banco Com relação ao atendimento bancário, Joanésia informou que toda vez que tenta ingressar com a mãe na agência do Centro da Caixa Econômica Federal precisa de muita paciência. "Em outra ocasião tivemos de aguardar pelo menos 15 minutos para a porta ser aberta. Nesta quarta-feira (14), não queriam nos deixar entrar com as bolsas. Os seguranças disseram para a gente guardar as bolsas nos armários. Fomos até lá, mas não havia chaves nos armários. Pedimos para eles olharem as bolsas, mas disseram que não. Tivemos de sair do banco", comentou. Joanésia chamou o irmão para ajudar com as bolsas. A Gazeta acompanhou o retorno da idosa ao banco - para o atendimento que foi agendado. No guarda-volume havia dois armários vazios. Nenhum tinha chave disponível. A porta foi aberta para dona Maria em menos de três minutos. Ela saiu na mesma velocidade, porque o sistema não estava funcionando. Terá de retornar nesta quinta-feira (14). Em nota, a Caixa lamentou o ocorrido. "Todo banco tem porta giratória. É o mínimo de segurança necessária. Se o vigilante libera, coloca todos em risco. Compreendemos a dificuldade da cliente, e pedimos sinceras desculpas pelo transtorno. Nosso compromisso é com a qualidade de atendimento a todos, sem distinção. Porém, a compreensão das regras de segurança por parte dos usuários também é indispensável. Casos excepcionais são tratados exclusivamente pela gerência, por isso pode demorar um pouco mais que o normal. Mas todos os procedimentos estão sendo seguidos: o cadeirante entra pelo acesso especial, e passa seus pertences pelo detector de metais específico. Naquele momento, todos os armários estavam cheios, mas na sequência foram liberando. A quantidade de armários foi aumentada nesse semestre, mas nessa quinzena o fluxo está sendo maior que o normal, em razão do 13º e do PIS Cotas", informa, em nota.

Assuntos Relacionados
Compartilhar
Gazeta de Piracicaba© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por