Dica para o Verão

Brotas: turismo de aventura e gastronômico

Prática do rafting no rio Jacaré-Pepira atrai visitantes durante todos os meses do ano à simpaticíssima cidade do interior paulista

Erick Tedesco
26/12/2025 às 13:28.
Atualizado em 26/12/2025 às 13:29
O rafting é obrigatório na experiência do turismo em Brotas (Divulgação)

O rafting é obrigatório na experiência do turismo em Brotas (Divulgação)

Brotas, no interior de São Paulo, permeia a memória do brasileiro, ou ao menos deveria, quando o assunto é o cantor romântico Daniel. O nome do brotense é constantemente falado entre os moradores da cidade, ora em forma de piadas – que rememora também João Paulo, seu ex-parceiro falecido em acidente de carro em 1997 - ora em tom de orgulho e respeito pela celebridade que muito faz pela terra natal, como a reforma do cinema, mas principalmente por evidenciá-la além do recorte geográfico no Estado de São Paulo.

E o que Brotas oferece em troca é o ecoturismo e a infraestrutura necessária para a prática, como pousadas, hotéis-fazenda, agencias de turismo, lojinhas com souvenirs e restaurantes, que por si só estão adequados para serem atrativos turísticos.

A poucos quilômetros do perímetro urbano, ainda na estrada à caminho de Brotas, a atmosfera fica menos densa e se pode inspirar um ar mais puro e limpo e é quando a experiência do turismo começa.

A calmaria também é sentida no pelas simpáticas ruas, uma típica cidade interiorana que conserva vários casarões antigos, comércios familiares, os encontros às tardes no entorno da praça principal e até mesmo os olhos curiosos dos moradores perante o turista, geralmente maravilhado o bastante com o charme de Brotas para desaprovar.

Tem, ainda, peculiaridades, como a encantadora Casa da Cachaça (avenida Padre Barnabé Girón, 221) com doces, bebidas e a exemplar simpatia dos proprietários, e o bonito e descolado cinema no Centro. Lenda, piada ou superstição, dizem que um autógrafo do Dani é uma espécie de Alvará aos estabelecimentos.

Brotas tem um rio que atravessa o espaço urbano e também é aproveitado pelo turismo, seja de contemplação como de aventura. É o rio Jacaré-Pepira, considerado um dos menos poluídos do Estado e a principal fonte da economia brotense. É nas águas desta afluente do aqüífero Guarani, um dos maiores entre os 27 reservatórios de águas subterrâneas em território nacional -, onde acontece a prática de atividades como o rafting e o bóia-cross, as mais procuradas.

São muitas opções de agências de receptivo turístico por lá, a maioria na avenida Mario Pinotti, também conhecida por “ruas das agências”, que oferecem diversas atividades: rafting, bóia-cross, tirolesas, descidas em rapel, cachoeirismo, trilhas, arvorismo.

RAFTING

O rafting é obrigatório na experiência do turismo em Brotas. A prática acontece em grupos, cada bote inflável leva entre cinco, seis pessoas, e a expedição pelo Jacaré-Pepira dura em torno de duas horas.

No inverno ou no verão, não importa, a temperatura da água é irrelevante comparada à sensação de remar rio abaixo, cair ou surfar nas corredeiras. Durante todo o percurso os instrutores conversam, falam sobre o rafting e o rio, e oferecem todo o suporte para vez ou outra se sentir um profissional da canoagem com cirúrgicas remadas.

AVENTURA

O ecoparque fica em meio à natureza, longo do centro urbano, do barulho e da agitação. Há pouco mais de um ano a serviço do turista, o Viva Brotas fica na rodovia BRO 50, a quinze minutos da cidade. O contato com a natureza está em todo canto, desde a trilha oferecida no local (de uma hora e meia, que contempla visita a uma cachoeira), além do próprio espaço, com uma bela vista, principalmente do mirante do restaurante.

A exclusividade do ecoparque é a Queda Livre, um salto de uma plataforma a 60 metros do solo, com a técnica americana Quick Jump. Outra opção é a tirolesa em diversos níveis.

PARQUE AVENTURAH

Considerado um dos mais completos parques de Brotas, na quilômetro 143 da rodovia SP-225, o Aventurah! é um contraponto ao Viva Brotas. Preza pela animação, tem dinâmica em freqüência mais acelerada. A novidade é o pacote com 11 atividades – o passaporte dá direito a praticar as 11 quantas vezes quiser. Tem tirolesa aquática, arco e flecha, arvorismo, paintball, entre outros.

AREIA QUE CANTA

O Areia que Canta está distante a 15 quilômetros do perímetro urbano da cidade. O complexo turístico funciona como hotel fazenda, centro de eventos e convenções, restaurante e ainda abriga uma nascente de água, formada por quartzo, que quando friccionada, de tão fina e cristalina, faz o barulho semelhante ao 'choro' da cuíca. É a areia que canta, que batiza a enorme propriedade – a fazenda Tamanduá - no KM 124, 5 da rodovia SP 225, um dos pilares do turismo na região.

Fonte natural do turismo, o Areia que Canta se desenvolveu a partir da histórica econômica de Brotas com os esforços da família Farsoni, imigrantes italianos que desembarcam no Brasil na segunda metade do século 19 para trabalhar na agricultura e produção de leite no interior paulista. Do pedaço de terra para subsistência ao hotel fazenda, passado e presente são, ainda hoje, são intrínsecos. É possível caminhar pelo pomar, onde tudo começou, e usufruir das instalações, como sala de jogos e piscinas aquecidas.

Parte da memória dos Farsoni está exposta na antiga casa logo ao lado da recepção. Objetos, como utensílios agrícolas, vitrolas e maquina de costura antiga, entre tantos outros, e fotos entre os dois cômodos e no corredor de entrada evidenciam a história privada e o empreendedorismo da família. É um interessante ponto de partida do Areia que Canta para aproximar o turista ao local, seja hóspede ou visitante.

A visita à nascente de água do aquifero Guarani para ouvir a areia cantar acontece pela manhã e demora cerca de três horas, desde a ida até a estrada de terra para seguir a pé até o local, além de passeios pela mata e parada às margens do rio Jacaré-Pepira para brincar e se refrescar. O hotel montou uma estrutura bacana para mostrar como a 'areia canta', numa piscina natural de 10 metros de diâmetro em meio a uma mata nativa preservada. Lá, instrutores contam sobre a formação natural e o porquê faz barulho. Naquela nascente brota, em média, 70 mil litros de água por hora. É possível ver água brotar da terra a olho nu.

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