O Brasil superou a marca de 80.000 mortes por COVID-19, segundo dados oficiais publicados nesta segunda-feira (20), que confirmam a estabilização da pandemia em um "platô" elevado de mais de 1
O Brasil superou a marca de 80.000 mortes por COVID-19, segundo dados oficiais publicados nesta segunda-feira (20), que confirmam a estabilização da pandemia em um "platô" elevado de mais de 1.000 mortes diárias na média semanal.
Segundo o Ministério da Saúde, foram registradas nas últimas 24horas 632 novos falecimentos, elevando o total a 80.120, uma cifra que dobrou em 40 dias.
O número de infectados aumentou em 20.257, totalizando 2.118.646, embora os especialistas considerem que este número está subestimado, devido à falta de testes.
O Brasil, com quase 212 milhões de habitantes, é o segundo país do mundo em número de casos e mortes pelo novo coronavírus, atrás apenas dos Estados Unidos (3,8 milhões de casos e 141.000 mortes).
Desde o primeiro óbito registrado no Brasil, em 16 de março, o balanço teve um rápido aumento até se estabilizar no início de junho em mais de mil mortes diárias na média calculada nos últimos sete dias.
"Há um platô. O Brasil tem agora a oportunidade de frear a doença, suprimir a transmissão do vírus, de tomar o controle" da epidemia, declarou na semana passada, em Genebra, o responsável de emergências da Organização Mundial da Saúde (OMS), Michael Ryan.
"De fato, tanto o número de casos como o de óbitos se mantém em nível estável. O problema é que é muito alto", declarou à AFP Mauro Sanchez, epidemiologista da Universidade de Brasília (UnB).
"A perspectiva é que o platô se mantenha (nesse nível) por algum tempo antes de começar a cair", completou Sanchez, para quem o processo "dependerá do que for feito em relação a políticas públicas e de adesão da população".
As tentativas de controle da pandemia têm sido comprometidas principalmente por sua politização.
Em nome da sobrevivência da economia, o presidente Jair Bolsonaro tem se mostrado um fervoroso opositor das medidas de confinamento impostas pelos governadores do país.
Já a maioria dos estados coloca atualmente em prática um processo de suspensão do confinamento julgado prematuro por especialistas.
O próprio Bolsonaro contraiu o vírus, mas não modificou a postura desafiadora em relação à gravidade da doença.
Diagnosticado há duas semanas, Bolsonaro exerceu suas funções em confinamento no Palácio da Alvorada, mas, no domingo, voltou às ruas para elogiar a cloroquina e a hidroxicloroquina como tratamentos efetivos contra a COVID-19, apesar de não existirem evidências científicas que comprovem a eficácia dos medicamentos.
O novo coronavírus afeta o país de forma desigual e em ritmos diferentes.