A vítima, que foi reconhecida por um familiar, é Flávio de Arruda

Bombeiros trabalharam em uma das Operações mais difíceis dos últimos tempos (Christiano Diehl Neto)
Quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017 O Corpo de Bombeiros de Piracicaba resgatou, nesta quarta-feira (8), após quatro horas de Operação no Salto do rio Piracicaba, o corpo do homem que morreu afogado no início da noite da última terça-feira (7). Ele ficou submerso cerca de um metro, com uma das pernas presa em uma pedra. A vítima, que foi reconhecida por um familiar logo após a retirada do corpo, é Flávio de Arruda, 38 anos de idade. Ele morava no bairro Nova Suíça, em Piracicaba. No dia em que Arruda caiu no rio, testemunhas o viram se batendo na água e telefonaram para o 193. Às 18h50, 10 bombeiros entraram na água, com botes salva-vidas e cordas, para fazer o resgate. Os socorristas ficaram por cerca de uma hora e 40 minutos tentando puxar a vítima, mas a perna dela, segundo o tenente Júlio César Cavellani, formou uma âncora contra a correnteza e não houve como retirá-lo do enrosco. Devido à forte correnteza - o rio já estava um pouco mais alto ao anoitecer - um bombeiro bateu com a cabeça na pedra e o capacete dele rachou. Às 20h30 foi interrompida a operação e a equipe da ambulância do Samu (Serviço de Atendimento Móvel) foi dispensada. Nesta quarta-feira (8), após a retirada do corpo, por volta das 10h30, o comandante da Operação no rio, capitão Silmar da Silva Sendin, explicou que o tenente Garcia, que comanda os dois Postos de Bombeiros locais, puxou a perna da vítima no sentido contrário da correnteza até ela se soltar da pedra. Os bombeiros utilizaram uma prancha para levar o corpo até às margens do rio. O mais difícil Para os bombeiros, acostumados a diversos tipos de ocorrências, esta foi a mais trabalhosa de todas no que diz respeito a salvamento de afogados. O capitão Sendin contou que em 17 anos trabalhando em Piracicaba, nunca viu algo parecido. "A correnteza era muito forte e gravamos até um vídeo que mostra isso. A gente não tinha mesmo no que se apoiar. Sem contar que ali há pedras com distância de um metro umas das outras, de quatro metros e outras bem coladas", explicou. No lugar em que Arruda ficou preso, segundo o oficial, não dava para mergulhar porque os bombeiros corriam o risco de também ficarem presos nas pedras. "Não dá para imaginar como ele foi parar ali", comentou Sendin, que estava acompanhado do major Madrucci. Três em um dia Flávio de Arruda foi a terceira pessoa encontrada morta no rio Piracicaba, na última terça-feira. As outras vítimas foram um homem (encontrado na região do distrito de Santa Teresinha), e uma mulher, cuja bolsa foi encontrada na Casa do Povoador, mas o corpo foi localizado na altura da Estrada do Bongue, perto do Carrefour. Cuidados O Corpo de Bombeiros faz um alerta à população, para que não entre no rio Piracicaba, seja qual for a vazão dele porque mesmo com o calor há poços profundos em várias partes do rio. Caso alguém presencie uma pessoa se afogando, só poderá jogar objetos flutuantes para a vítima se apoiar até que chegue o socorro. Entrar para socorrer não é indicado porque, no desespero, a vítima pode agarrá-la e as duas irão morrer afogadas. Encaminhamento O corpo de Arruda foi levado para o Instituto Médico Legal de Piracicaba (IML), que está localizado à avenida Marechal Castelo Branco, no bairro Jardim Primavera, e depois será liberado para velório e enterro.