A deputada também encaminhou um relatório detalhado sobre o processo de “reformulação” do Laboratório, solicitando orientações ao gabinete do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, sobre possíveis ações
Professora Bebel vê riscos aos pacientes da rede pública municipal de saúde (Divulgação)
A deputada estadual Professora Bebel (PT) encaminhou notificação ao Ministério da Saúde denunciando o processo de “desmonte” do Laboratório Municipal de Piracicaba. A iniciativa foi tomada em virtude dos riscos aos pacientes da rede pública municipal de saúde e dos possíveis aumentos de custos com a desativação do órgão, que funciona há mais de 30 anos e sempre foi referência de qualidade e confiabilidade.
A deputada também encaminhou um relatório detalhado sobre o processo de “reformulação” do Laboratório, solicitando orientações ao gabinete do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, sobre possíveis ações e órgãos federais que possam ser acionados para garantir a qualidade do serviço público de saúde no município. Uma cópia da notificação foi entregue ao promotor de Justiça de Piracicaba, Luciano Gomes de Queiroz Coutinho.
Bebel considera oportuno que o Ministério da Saúde acompanhe de perto as mudanças em curso, uma vez que o Laboratório Municipal de Piracicaba é público, recebe recursos via Sistema Único de Saúde (SUS) e é responsável pela política de notificações de doenças à Vigilância Sanitária. “O desmantelamento da unidade pode gerar subnotificação de doenças como febre maculosa, dengue, HIV e hepatites virais, entre outras”, alerta a parlamentar.
A deputada participa de um coletivo que reúne representantes dos funcionários do Laboratório, do Conselho Municipal de Saúde, do Sindicato dos Servidores Municipais de Piracicaba e vereadores que se opõem ao processo de reestruturação. O grupo vem adotando medidas jurídicas e administrativas, além de alertar a população sobre os riscos do desmonte.
No documento dirigido a Fábio Manzini Camargo, assessor especial do Ministério da Saúde, Bebel informa que a Administração Municipal de Piracicaba vem conduzindo um processo de “desmanche” do Laboratório, órgão que funciona desde o início da década de 1990 e sempre prestou serviços de qualidade, com credibilidade e confiabilidade. Segundo ela, o processo foi iniciado logo após a posse da nova gestão, sem diálogo com servidores, Conselho Municipal de Saúde ou Câmara Municipal. O objetivo declarado pelos gestores é reduzir gastos em cerca de 25% e aprimorar o serviço à população. “A análise das informações disponíveis, entretanto, não permite visualizar que esses objetivos sejam atingidos. Ao contrário, observa-se piora do serviço prestado, inclusive com riscos aos pacientes da rede pública, além de indicativos de aumento efetivo do custo dos exames para o município”, escreveu.
Entre os riscos apontados estão o comprometimento da política de notificações compulsórias à Vigilância Sanitária e a integridade das amostras de exames colhidos na rede municipal. Para Bebel, o processo revela falta de planejamento, ausência de diálogo com servidores altamente qualificados e órgãos colegiados de saúde, falta de transparência no encerramento de contratos licitatórios e envio de serviços ao laboratório ISAS/Cismetro, o que pode gerar prejuízos ao erário e desrespeito aos direitos dos trabalhadores.
No caso do encerramento de contratos, a deputada destaca que os serviços vêm sendo contratados a preços superiores aos praticados anteriormente, já que todos os contratos que previam descontos sobre a tabela SUS foram encerrados e os exames passaram a ser direcionados ao ISAS/Cismetro, com valores iguais ou superiores à tabela cheia. “Em diversos casos, a desativação de equipamentos também resulta em desperdício de reagentes já adquiridos pelo Laboratório”, afirma.
Ela ainda chama atenção para o manuseio inadequado de exames provenientes de diferentes regiões da cidade, conforme registros e observações de funcionários. “As amostras permanecem em veículo estacionado em frente ao Laboratório durante algumas horas, para posterior transporte ao ISAS. O manuseio dos malotes é feito em área externa, sem segurança e sem condições adequadas de preservação”, ressalta.