A POLÊMICA

Áudio propagado no WhatsApp é 'fake news'

A avaliação é do médico infectologista, Hamilton Bonilha

Marcelo Rocha
igpaulista@rac.com.br
05/04/2018 às 09:18.
Atualizado em 19/04/2022 às 02:49

Quinta-feira, 5 de abril de 2018 A mensagem de áudio que está circulando no WhatsApp, com um tom alarmante, que anuncia a chegada, ao Brasil, de uma suposta epidemia do vírus da gripe H3N2 (um subtipo do vírus Influenza A), não passa de uma "fake news". Contudo, mesmo essa "informação distorcida" tem seu lado positivo, que é o de alertar as pessoas em relação à necessidade de se vacinarem contra a gripe. A avaliação é do médico infectologista do Instituto de Vacinação e Infectologia de Piracicaba (Ivip) e diretor do Departamento Regional de Saúde (DRS-10), Hamilton Bonilha. No tal áudio que passeia pelo WhatsApp, um homem diz já haver alertado vereadores, o prefeito e o Conselho Municipal de uma cidade (que não é citada no conteúdo) e que vai faltar leitos numa determinada unidade da Santa Casa, também não se sabe de onde. A Assessoria de Imprensa da Santa Casa de Piracicaba informa que o áudio não tem nenhuma ligação com a instituição do município. "Essa é uma mensagem que serve para ecoar pânico. É uma 'fake news', acho que é um irresponsável quem fez isso", declarou Bonilha. De acordo com o infectologista, o homem que gravou a mensagem provavelmente tomou como base "a epidemia que houve nos Estados Unidos, no Inverno, e agora está projetando algo parecido no Brasil. Aí se criou todo esse pânico", observa. "Mas não tem como prever que nós vamos ter uma epidemia por isso", acrescentou Bonilha. Segundo Bonilha, as epidemias de gripe acontecem à medida que a população deixa de se vacinar e de ter as precauções necessárias em relação à higienização das mãos (lavagem e uso de álcool gel). "Aí, pode haver o aumento número de casos. Em 2017, já houve o aumento do número de casos do H3N2 no país, então, pode ser que ainda seja a cepa (tipo) de maior prevalência aqui no Brasil neste ano", afirma. Tanto o vírus H1N1 quanto o H3N2 são causadores da gripe Influenza A, explicou Bonilha. "A diferença é que o vírus H1N1 sofreu uma mutação e se transformou na cepa H3N2", disse. O lado bom disso, pondera o infectologista, é que as pessoas provavelmente se conscientizarão antes de haver uma possível epidemia, como a que ocorreu em Nova York. "Ou seja, virou um alerta e já despertou o interesse na campanha de vacinação contra a gripe, que começa no dia 23 de abril", antecipou. "O ideal é a pessoa se vacinar. Porque a vacina é quadrivalente: cobre as duas cepas da influenza A (H1N1 e H3N2) e as duas cepas influenza B (Victória e Yamagata). Então, a pessoa fica imune, com proteção total contra os males da gripe". O médico esclareceu como age a vacina contra a gripe, porque as campanhas são realizadas semanas antes da chegada do Inverno. "Com a vacina, a pessoa recebe um vírus morto e o organismo começa produzir anticorpos contra ele. A imunidade, contudo, ocorre a partir de 15 dias, sendo que o ápice dessa imunidade será depois de um mês, quando chegar o Inverno. Então, a ideia é vacinar a agora para quando chegar o Inverno estar no ápice de sua imunidade", explicou. "Vale lembrar que o Inverno é o período de maior contágio, quando as pessoas ficam mais próximas e convivem em ambientes fechados". Em 2017, a vacinação contra a gripe no Brasil ficou acima dos 80% nos grupos-alvos, lembrou o infectologista.

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