BARRACO HISTÓRICO

As várias homenagens ao legado de frei Sigrist

A trajetória de vida do religioso começou a ser enaltecida em Piracicaba

Marcelo Rocha
27/11/2017 às 10:22.
Atualizado em 19/04/2022 às 01:09

Segunda-feira, 27 de novembro de 2017 As celebrações pelos 20 anos de falecimento do frei Francisco Erasmo Sigrist (1932-1998) já começaram, com a celebração de uma missa no último dia 6 de novembro e se estenderão até outubro do ano que vem, com várias atividades. A próxima delas será nesta terça-feira (28), às 19h30, no barraco de madeira localizado na então favela do bairro Jardim Glória, onde o religioso morou por 14 anos. Ali, sua trajetória e seu legado de vida serão o tema de um encontro que será conduzido por Francisco de Assis Pereira de Campos, que é conhecido como “frei Tito”. O frei Sigrist ordenou-se padre aos 52 anos de idade, no dia 18 de dezembro de 1983, e morreu aos 66 anos de idade, em 18 de outubro de 1998. “Nesse período, ele se dedicou integralmente à comunidade do bairro Jardim Glória”, explica Claudinei Pollesel, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba (IHGP). O religioso conheceu, vivenciou a pobreza do Jardim Glória e transformou de maneira definitiva a realidade da comunidade, na época formada por barracos construídos com madeira e lata, diz Pollesel. “Ele decidiu morar num dos barracos de madeira, onde implantou uma comunidade franciscana. A partir disso, buscou recursos, principalmente no Exterior, e doações locais para a construção de 130 casas de alvenaria, que ao longo dos anos foram feitas por meio de mutirões. Ele transformou aquela comunidade. Inclusive cuidou de seu embelezamento, pois plantou várias palmeiras imperiais na principal rua da comunidade, batizada de alameda Frei Sigrist”, destaca Pollesel. E, no local, também edificou a Capela São Francisco de Assis e Santa Clara, que tem um mosaico produzido por Virgínia Welch, artista plástica norte-americana radicada em Piracicaba. Sigrist morreu antes de ver seu barraco de madeira virar uma casa de alvenaria. Dizia que a sua moradia seria a última a ser beneficiada com as obras de melhoria. “Hoje em dia, o barraco onde ele morou foi restaurado, e é patrimônio histórico do município em processo de tombamento pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Piracicaba (Codepac)”, conta Pollesel. Justamente neste local que será realizado o evento em sua memória. “E o frei Tito, que residiu ali por seis anos, junto com o frei Sigrist, e que também participou ativamente do processo de transformação do bairro, vai contar um pouco de sua experiência, da figura do frei Sigrist e acompanhará as pessoas numa visita monitorada ao barraco”, salienta o membro do IHGP.

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