MUITO FASCINANTE

Aplicativos e internet: um poder de sedução

A conversa não digital não teria tanta urgência se comparada à digital

José Ricardo Ferreira
24/12/2017 às 13:52.
Atualizado em 19/04/2022 às 00:59

Terça-feira, 26 de dezembro de 2017 A facilidade e simplicidade das redes sociais e dos aplicativos fascinam seus usuários. "E exercem um poder de sedução muito grande. Despertam na gente uma ansiedade em ver o que o outro postou. Cria uma necessidade de respondermos a mensagem num ritmo mais rápido. As coisas vão ficando mais ágeis. A conversa não digital não teria tanta urgência se comparada à conversa digital", analisa o professor do curso de Jornalismo da Unimep, Wanderley Garcia, jornalista, doutorando em Educação e mestre em Ciência da Informação pela PUC-Campinas. Em relação ao uso das redes nas festas de fim de ano, Garcia diz que depende de cada caso. A troca de mensagens entre pessoas que estão distantes é facilitada pelas redes sociais. Tiram-se fotos para compartilhá-las. "Isso é uma coisa bacana, não é ruim". Os lados questionáveis, analisa ele, são pelo menos dois: a exposição das pessoas se torna mais importante do que a própria vivência. Por exemplo, a selfie da ceia ser mais importante do que a própria confraternização; e uma segunda questão, se dedicar mais ao uso do celular do que curtir a festa. "Fica o tempo todo mandando mensagens, deixando a interação de lado". Garcia entende, porém, que se a distância existe, as redes sociais ajudarão, numa noite de Natal, por exemplo, a amenizar a solidão, uma ausência. Mas se lembre que isso não pode substituir uma aproximação, segundo entende o docente. "É preciso procurar convívios sociais mais verdadeiros e efetivos". Garcia lembra que as empresas que gerenciam as redes sociais e aplicativos são verdadeiros conglomerados. "O WhatsApp foi comprado pelo Facebook que é um gigante nesse campo da internet. Que investe pesado em marketing e influencia as pessoas a tomar a decisão de usarem a o 'what' e não outro tipo, como o telegram que é um aplicativo concorrente tão bom quanto", exemplifica o professor. Refém Não se tornar refém das redes é uma questão importante e necessária. "As pessoas precisam se organizar diante de tantos estímulos. Ficamos submetidos a eles e precisamos nos policiar. É interessante criar algumas regras, como não usar celular à mesa (na hora da refeição), em algumas atividades, horários. Cada um deve buscar o seu equilíbrio. Até onde o uso é negativo ou proveitoso. É uma ferramenta interessante, mas não podemos nos deixar dominar por ela. Se isso acontecer, ela se tornar perigosa", orienta o professor. E nos relacionamentos afetivos, a atenção deve ser redobrada. Se o parceiro ou parceira perceber excessos no uso das redes sociais, deve alertar. Ou na família entre pais e filhos. "Quem está excedendo precisa ouvir. É preciso dar atenção àquilo que está ao seu redor e não apenas ao que está na tela. A tela não é mais urgente do que o mundo que está à sua volta", entende Garcia.

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