EM CAMPINAS

Adolescente salva amigo, mas se afoga

Gabriel Barbosa Rodrigues sumiu nas águas

Alenita Ramirez
22/12/2017 às 09:23.
Atualizado em 19/04/2022 às 00:36

Sexta-feira, 22 de dezembro de 2017 Um adolescente de 13 anos de idade desapareceu no Rio Anhumas, no distrito de Barão Geraldo, em Campinas (SP), enquanto nadava com um grupo de amigos entre oito e 12 anos de idade. Segundo a família e os amigos, Gabriel Barbosa Rodrigues sumiu nas águas após resgatar um dos meninos que se afogava no ribeirão. Até as 17h30 da última quarta-feira (20), o Corpo de Bombeiros não tinha localizado o corpo do menino. Amigos, parentes e conhecidos do jovem acompanharam a busca na esperança de achar o estudante desmaiado em algum local.  O incidente foi num trecho do rio conhecido como Areeiro, atrás do Centro de Treinamento de Futebol (CTF), no bairro Vila Olândia. Gabriel estava com ao menos seis amigos, inclusive o tio, que é mais novo do que ele. O estudante, que mora em outra região de Campinas, foi passar as férias na casa da avó. De acordo com moradores, o local sempre foi usado por jovens e até adultos daquela localidade para nadar. O grupo seguiu até o ribeirão e nadava quando um dos meninos começou a se afogar. Como Gabriel era o mais velho da turma e o que mais sabia nadar, mergulhou na água e resgatou o coleguinha, que foi levado para as margens do rio. O menino foi retirado do rio pelos demais colegas, mas o adolescente não conseguiu sair e começou a afundar. Os garotos tentaram retirar Gabriel, lançando paus, mas o estudante sumiu nas águas. Com medo, o grupo foi embora. A avó de Gabriel estava trabalhando e quando voltou à noite deu por falta do adolescente e passou a perguntar para o filho dela, tio de Gabriel, sobre o neto. A princípio, as crianças falaram em acidente, sem dar detalhes. Até que um deles passou a dizer que Gabriel tinha sido sequestrado por homens em um carro preto. O suposto sequestro teria acontecido quando caminhavam por ruas do bairro. Desesperada, a avó ligou para o 190 da Polícia Militar (PM) e avisou do falso crime.  Uma viatura da PM foi até a casa da família e os policiais passaram a ouvir todo mundo, inclusive os amigos do adolescente. “Os policiais estranharam porque cada um dava uma versão. Um dos policiais levou o menino que disse ter visto o sequestro e começou a conversar. Então ele chorou e contou o que realmente tinha acontecido”, relatou um PM. O Corpo de Bombeiros foi chamado. Segundo o 1º tenente da corporação, Luiz Fernando Marucci Bacci, por ser à noite, não pôde ser feito um mergulho. Nas buscas nas margens do rio nada foi localizado. O trabalho foi encerrado por volta da meia-noite. Durante todo o tempo, familiares e amigos acompanharam o trabalho. As buscas recomeçaram no ponto onde os amigos apontaram como sendo o local do afogamento. Para piorar, no começo da noite de terça-feira caiu um temporal em Campinas. Neste período, a família ainda não sabia do desaparecimento do jovem nas águas. Segundo Bacci, em razão da chuva, o nível do rio subiu um metro e meio. O trecho onde o estudante caiu tem no máximo três metros de profundidade. “Como choveu, as águas ficaram agitadas. Não sabemos se o adolescente foi arrastado ou não. Temos que fazer busca minuciosa neste trecho, pois pode ser que ele esteja enroscado em algum local por aqui”, disse o tenente. Com bote e equipamentos de mergulho, os bombeiros percorreram um trecho de dois quilômetros do ribeirão. O Anhumas desemboca no Rio Atibaia, em um trecho após a empresa Rhodia. “A água está tranquila hoje (quarta-feira). Voltamos várias vezes ao ponto inicial, observando e mergulhando cada canto do rio”, falou Bacci. Enquanto os bombeiros percorriam o local, a avó acompanhava cada movimento. Em alguns momentos, o desespero da mulher era tanto que ela pedia para Bacci descer o rio até Paulínia. A todo o momento ela era consolada por parentes e amigos. “Nessa época do ano, que é de muito calor, as pessoas costumam nadar em lagos e rios, mas é um perigo. Por mais que a pessoa saiba nadar, há riscos de afogamentos. É importante que quando alguém estiver com outro que esteja se afogando, não pule na água para ajudar, mas dê um pedaço de pau, uma corda, qualquer outro objeto para a pessoa que está afogando pegar e, com isso, trazê-la para a margem”, orientou Bacci. Devido ao estado emocional, quando a reportagem chegou no local, a avó ficou nervosa e não quis dar entrevistas. Ela se retirou e sentou debaixo de arbustos na margem do rio.

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