Tema de estudos que indicam mercado bilionário, tendência que transforma uma boa noite de sono na prioridade da viagem cresce globalmente; Civitatis reúne sete experiências para relaxar corpo e mente e descansar melhor
Balneário Széchenyi, em Budapeste (Divulgação)
O descanso passou a orientar a escolha de hotéis, destinos e atividades em uma vertente conhecida como turismo do sono. Relatório da consultoria Grand View Research estima que esse mercado, avaliado em US$ 74,5 bilhões em 2024, alcance US$ 148,98 bilhões até 2030, com crescimento médio anual projetado de 12,4%.
O movimento também aparece em pesquisas realizadas pelo setor hoteleiro. Em levantamento global da Hilton, dois em cada cinco entrevistados disseram escolher hotéis nos quais acreditam que poderão dormir melhor. Mais de um quarto afirmou recorrer a tratamentos de spa ou bem-estar para tentar melhorar o sono durante as férias. A pesquisa ouviu 13 mil viajantes de 13 países.
Nesse contexto, a Civitatis, plataforma que comercializa passeios e atividades turísticas, reuniu seis experiências associadas ao relaxamento em destinos da Europa, Ásia, África e América do Sul. A seleção inclui banhos termais, retiro de ioga, pernoite no deserto e observação astronômica.
A lista amplia o conceito de turismo do sono. Em seu sentido mais específico, o segmento envolve hotéis e retiros estruturados em torno do repouso, com isolamento acústico, cortinas que bloqueiam a luz, colchões reguláveis, cardápios de travesseiros e programas acompanhados por profissionais. As atividades selecionadas pela Civitatis não são tratamentos para distúrbios do sono, mas podem integrar roteiros voltados à redução do ritmo da viagem.
Águas termais na Islândia e na Hungria
Entre as experiências apresentadas está a Blue Lagoon, em Grindavík, na Islândia. O complexo geotérmico reúne piscinas com águas mantidas entre 37°C e 40°C, saunas e banhos de vapor em uma área cercada por formações vulcânicas.
Em Budapeste, o Balneário Széchenyi ocupa um edifício neobarroco inaugurado em 1913. O complexo possui piscinas internas e externas, saunas e áreas de hidromassagem. A capital húngara mantém uma tradição de banhos públicos alimentados por fontes termais.
Banhos ou duchas mornas podem favorecer o início do sono quando realizados no horário adequado. Uma revisão sistemática de estudos científicos identificou melhora na percepção da qualidade do sono e redução do tempo necessário para adormecer quando o banho ocorre entre uma e duas horas antes de deitar. Isso não significa, entretanto, que uma visita eventual a um balneário trate insônia ou outros transtornos.
Deserto de Merzouga, Marrocos (Divulgação)
Ioga na Índia e termas nos Andes
A seleção da Civitatis inclui ainda um retiro de quatro dias em Jhansi, na Índia, com práticas de ioga, meditação, massagens ayurvédicas e alimentação vegetariana. A programação prevê períodos de menor exposição a aparelhos eletrônicos e atividades em contato com a natureza.
Na Argentina, o Parque Termal de Cacheuta fica a cerca de uma hora de Mendoza, aos pés da Cordilheira dos Andes. O local reúne piscinas em diferentes temperaturas, hidromassagem, sauna em gruta e circuitos de hidroterapia.
As duas propostas se aproximam do chamado turismo de bem-estar, categoria mais abrangente que reúne viagens motivadas por atividades físicas, alimentação, spas, meditação e redução do estresse. No turismo do sono, esses recursos aparecem associados a rotinas e ambientes concebidos prioritariamente para o repouso.
Noite no Atacama, Chile (Divulgação)
Silêncio no Saara e céu do Atacama
Em Merzouga, no Marrocos, a experiência selecionada combina travessia de camelo pelas dunas de Erg Chebbi e pernoite em uma tenda no deserto. A proposta explora o afastamento dos centros urbanos e a redução de ruídos e luzes artificiais.
O roteiro de observação astronômica em San Pedro de Atacama, no Chile, segue lógica semelhante. Os passeios são realizados fora da área urbana, onde a baixa poluição luminosa permite observar estrelas, planetas e outros corpos celestes com telescópios.
Silêncio e escuridão são fatores importantes para a qualidade do sono, mas deslocamentos longos também podem produzir o efeito contrário. Mudanças de fuso horário, alterações na rotina e privação de descanso durante o trajeto podem desorganizar o ritmo circadiano, conforme alerta a Organização Mundial da Saúde.
O turismo do sono, portanto, não se resume a viajar para permanecer na cama. O segmento reúne desde acomodações desenvolvidas especificamente para o repouso até roteiros que reservam mais tempo para termas, contemplação, atividades de baixa intensidade e períodos sem conexão constante.
A seleção das seis experiências foi fornecida pela Civitatis.