
Estudos recentes apontam uma ligação potencial entre esses produtos e a contaminação por microplásticos (Marcos Santos/USP Imagens)
O consumo crescente de alimentos ultraprocessados — como macarrão instantâneo, salgadinhos de pacote e refrigerantes — vem despertando preocupações cada vez maiores entre pesquisadores e profissionais da saúde. Esses produtos passam por extensas etapas de processamento industrial e são compostos por ingredientes artificiais, como conservantes, corantes, realçadores de sabor e emulsificantes, além de aditivos químicos extraídos de alimentos naturais, o que os torna pobres nutricionalmente.
Estudos recentes apontam uma ligação potencial entre esses produtos e a contaminação por microplásticos — partículas invisíveis que podem se infiltrar no organismo principalmente por meio do uso de embalagens plásticas. Ao serem ingeridos, esses compostos entram em contato com vias biológicas sensíveis e podem, segundo hipóteses, afetar áreas delicadas como o cérebro humano.
A revista Brain Medicine publicou quatro artigos sugerindo que a presença de microplásticos em nosso sistema pode estar relacionada ao aumento de transtornos mentais, como ansiedade, depressão e distúrbios do sono, embora os cientistas ressaltem que as evidências em humanos ainda são preliminares.
A professora Thais Mauad, da Faculdade de Medicina da USP, alerta que, em animais, já se comprovou que os microplásticos são neurotóxicos e provocam inflamação, estresse oxidativo e até danos ao DNA. Em humanos, ainda não há certezas, mas há fortes indícios de que a combinação entre alimentação inadequada e exposição a microplásticos pode trazer consequências profundas para a saúde cerebral e emocional.
Como resposta, especialistas recomendam uma mudança urgente de hábitos — evitar esquentar alimentos em recipientes plásticos, reduzir o consumo de embalagens descartáveis, e principalmente, dar preferência a alimentos frescos e naturais. Esses cuidados são especialmente importantes para crianças, cujos organismos estão em desenvolvimento e são ainda mais vulneráveis.
No cenário internacional, mais de 100 países estão reunidos em torno do Tratado Global do Plástico, com metas de reduzir a produção excessiva de plástico e controlar melhor os aditivos químicos. Infelizmente, o Brasil ainda não adotou uma postura firme nas negociações, o que levanta preocupações sobre a capacidade do país de enfrentar esse problema ambiental e de saúde pública.