Cidade no extremo sul do Chile, referência para roteiros pela Patagônia austral, registrou neve e água-neve antes do início oficial do inverno
Cidade no extremo sul do Chile, referência para roteiros pela Patagônia austral, registrou neve e água-neve antes do início oficial do inverno (Reprodução/Instagram)
Punta Arenas, capital da Região de Magalhães e da Antártica Chilena, registrou nesta quinta-feira (11) a primeira queda de neve do ano. Localizada na Patagônia austral, às margens do Estreito de Magalhães, a cidade é uma das principais bases para viajantes que seguem para Torres del Paine, Terra do Fogo e rotas ligadas à Antártica.
O fenômeno começou na madrugada de quinta, com precipitação de neve e água-neve, e mobilizou equipes públicas para limpeza de ruas, aplicação de sal e monitoramento das áreas mais afetadas.
A posição geográfica ajuda a explicar a paisagem que circulou em vídeos e fotos nas redes sociais: ruas inclinadas, telhados baixos, vento constante e o mar ao fundo, com o branco da neve cobrindo parte da área urbana.
De acordo com a Dirección Meteorológica de Chile, a estação Carlos Ibáñez, no aeroporto de Punta Arenas, registrava 0,5°C às 8h30 desta sexta-feira, 12. Na quinta-feira, a mínima chegou a -1,8°C, e a precipitação acumulada foi de 11 milímetros. Em 24 horas, o acumulado chegou a 12,4 milímetros.
A água-neve, também observada na área central, ocorre quando chuva e flocos de neve aparecem simultaneamente, geralmente com temperatura próxima de 0°C nas camadas mais baixas da atmosfera. Segundo relatório citado pelo jornal El Pingüino, a Armada do Chile apontou um quadro de instabilidade pós-frontal, com céu encoberto, visibilidade reduzida e vento sobre o Estreito de Magalhães.
A Municipalidad de Punta Arenas informou que as equipes começaram a trabalhar ainda de madrugada, antes da maior circulação de veículos. O operativo incluiu funcionários em campo, motoniveladoras, caminhonetes saleras e caminhão-pá. Mais de 35 toneladas de sal foram aplicadas em ruas e avenidas, especialmente nos setores altos e periurbanos, onde a neve costuma acumular com mais facilidade. Entre as áreas mais afetadas estavam Lynch, Llau Llau, Vrsalovic e Calafate.
O impacto urbano também apareceu no trânsito. A neve compactada, a escarcha e o pavimento escorregadio foram apontados pela imprensa local como fatores de risco para motoristas. Em uma das ocorrências registradas no centro, um veículo perdeu aderência na Avenida Cristóbal Colón, na altura da rua Arauco. O episódio reforçou os alertas das autoridades para redução de velocidade e atenção redobrada em vias com gelo.
O Serviço Nacional de Prevenção e Resposta ante Desastres, o Senapred, declarou Alerta Temprana Preventiva para Punta Arenas por precipitações invernais. A medida não significa ordem de evacuação, mas reforço no monitoramento de áreas vulneráveis, risco de alagamentos, desbordes, caminhos com escarcha e pontos críticos da infraestrutura urbana e rural. A condição de instabilidade deve seguir sendo acompanhada pelas autoridades locais.
Cerro Mirador, com vista para o Estreito de Magalhães (Erick Tedesco)
Neve e o turismo em Punta Arenas
Para quem chega de fora, a neve reforça uma das imagens mais associadas a Punta Arenas: a de uma cidade urbana, portuária e ventosa cercada pela paisagem extrema da Patagônia austral. No centro, o roteiro costuma passar pela Plaza Muñoz Gamero, pela rua Carlos Bories, principal eixo comercial da cidade, pela Avenida Colón e pela Costanera del Estrecho, a orla voltada para o Estreito de Magalhães. Em dias de neve, esses pontos ganham apelo visual, mas também exigem atenção por causa da escarcha, do vento e do risco de pavimento escorregadio.
A rotina turística de inverno inclui caminhadas curtas pelo centro histórico, visitas ao Museu Regional de Magalhães, ao Palácio Sara Braun e ao Mirador Cerro de la Cruz, de onde se vê a cidade, o estreito e, em dias abertos, parte da paisagem ao redor.
A poucos quilômetros da área urbana, o Club Andino, no Cerro Mirador, funciona como referência local para atividades de neve, com esqui, snowboard, aluguel de equipamentos e vista para o Estreito de Magalhães.
Também fazem parte do calendário frio da cidade o Carnaval de Inverno e o Chapuzón do Estreito de Magalhães, tradicional mergulho coletivo nas águas geladas do extremo sul do Chile, sempre no final de junho de cada ano, abrindo oficialmente o inverno patagônico.
A gastronomia é outro componente importante da experiência em Punta Arenas. Entre os pratos mais associados à região estão o cordeiro magalhânico assado, a centolla, espécie de caranguejo gigante típico das águas frias do sul, peixes e mariscos, além de preparos com calafate, fruto silvestre da Patagônia usado em geleias, sobremesas e drinques.
Fora do centro, Punta Arenas serve de base para passeios pelo Estreito de Magalhães, Tierra del Fuego, Parque do Estreito de Magalhães, Fuerte Bulnes, Isla Magdalena, Parque Marino Francisco Coloane e Parque Nacional Pali Aike.
Alguns desses roteiros dependem de estação, clima e operação turística, especialmente navegações e observação de fauna. No inverno, a neve entra nesse conjunto como paisagem e como parte da identidade local, mas também como fator prático: moradores e visitantes convivem com ruas salinizadas, mudanças rápidas no tempo, sensação térmica baixa e necessidade de planejamento antes de sair da cidade.