Segurança pública

Levantamento vê retirada de câmeras por 17% dos policiais do Bope

MPRJ analisou equipamentos usados por 51 agentes na ação que deixou mais de 120 mortos nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio

Da Redação com ABR
26/06/2026 às 06:13.
Atualizado em 26/06/2026 às 06:13
O levantamento foi feito pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) (© Tomaz Silva/Agência Brasil)

O levantamento foi feito pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) (© Tomaz Silva/Agência Brasil)

Levantamento do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro apontou que policiais do Bope retiraram câmeras corporais em 17% dos casos já analisados na Operação Contenção, realizada em outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão, na capital fluminense. A informação foi divulgada pela Agência Brasil, com base em dados do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp), do MPRJ.

A análise considerou equipamentos utilizados por 51 integrantes do Batalhão de Operações Policiais Especiais. Segundo o MPRJ, em 7,8% dos casos há indícios de obstrução proposital das imagens. Na maior parte dos registros, correspondente a 82%, a avaliação preliminar indica que as câmeras foram usadas corretamente.

A Operação Contenção foi deflagrada contra o Comando Vermelho e deixou mais de 120 mortos, incluindo cinco policiais. A ação é alvo de investigações e de medidas de controle externo para esclarecer a atuação das forças de segurança durante os confrontos.

O Gaesp já ouviu mais de 200 agentes envolvidos em confrontos armados. A escolha dos policiais que prestaram depoimento levou em conta registros de consumo de munição no dia da operação. Os depoimentos são usados para reconstruir a dinâmica da ação e apurar eventuais irregularidades.

Em abril, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, deu prazo de 90 dias para que a Polícia Federal faça perícia nas imagens captadas pelas câmeras corporais dos policiais que participaram da operação. A análise técnica dos registros é considerada uma das etapas centrais para esclarecer o que ocorreu durante a ação.

Até o momento, o MPRJ apresentou oito denúncias contra 27 policiais militares por ilegalidades atribuídas à operação. As acusações envolvem apropriação de armamento, furto de peças de veículos, invasões de domicílio, constrangimento de moradores, subtração de bens e tentativas de obstrução ou desligamento de câmeras corporais.

O Ministério Público também iniciou a tomada de depoimentos de presos durante a operação. A medida busca registrar outras versões sobre os fatos, além dos relatos dos agentes de segurança envolvidos na ação.

Entre as providências adotadas pelo MPRJ estão a abertura de procedimento investigatório criminal autônomo, o monitoramento em tempo real pelo plantão de operações e o acionamento dos protocolos previstos na ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas.

O órgão informou ainda que fez busca ativa de familiares das pessoas mortas, para permitir oitivas, cadastramento e acompanhamento institucional dos interessados em receber informações sobre o andamento das investigações.

No campo preventivo, o MPRJ expediu em dezembro de 2025 recomendação aos secretários de Segurança Pública, Polícia Civil e Polícia Militar do Rio de Janeiro para a criação de um protocolo conjunto de atuação em operações policiais. O objetivo é estabelecer medidas de redução de riscos, mitigação de danos e contenção da letalidade.

Em março, uma nova recomendação foi enviada às mesmas autoridades para aprimorar o planejamento, a execução e o monitoramento do uso das câmeras operacionais portáteis. A intenção é evitar falhas nos registros e garantir que as imagens possam ser usadas na apuração de condutas policiais.

Assuntos Relacionados
Compartilhar
Gazeta de Piracicaba© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por