Oriente Médio

Guerra Israel-Irã chega a 100 dias sob nova troca de ataques

Irã voltou a lançar mísseis contra Israel após bombardeios em Beirute; resposta israelense atingiu instalações petroquímicas, enquanto Trump tenta evitar nova escalada

Da Redação
08/06/2026 às 08:33.
Atualizado em 08/06/2026 às 08:33

Segundo o New York Times, o número de civis mortos no Irã é estimado em 1.700 desde o início da guerra (Magnific)

A guerra entre Israel e Irã chegou aos 100 dias neste domingo (7) com uma nova troca direta de ataques, a maior escalada desde o cessar-fogo firmado em abril. O Irã lançou mísseis contra o território israelense após bombardeios das Forças de Defesa de Israel contra os subúrbios do sul de Beirute, no Líbano. Horas depois, Israel anunciou ter retaliado com ataques a instalações petroquímicas no sudoeste iraniano.

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou ter atacado a base aérea israelense de Ramat David com mísseis balísticos. Segundo Teerã, a ofensiva foi uma resposta aos ataques israelenses no Líbano e um recado para que Israel cesse as operações contra o território libanês.

Durante a madrugada, sirenes de alerta foram acionadas em cidades do norte de Israel. Mísseis também caíram perto de assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada. Até o momento, Israel e Irã negam a ocorrência de mortes na nova troca de ataques.

A ofensiva iraniana ocorreu depois de uma onda de bombardeios israelenses contra áreas ligadas ao Hezbollah nos subúrbios do sul de Beirute. Segundo a Al Jazeera, ao menos duas pessoas morreram e 20 ficaram feridas. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o ministro da Defesa, Israel Katz, afirmaram em comunicado conjunto que o alvo era um centro de comando do Hezbollah. O governo israelense disse que os ataques foram uma resposta a disparos do grupo libanês contra Israel.

A nova escalada ocorre em um momento delicado para a diplomacia americana. Em entrevista ao portal Axios, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que ligaria para Netanyahu para pressioná-lo a não retaliar o ataque iraniano.

“Vou ligar para Bibi agora mesmo e dizer para ele não retaliar. Cada um deles se divertiu. Israel teve seu ataque e o Irã teve o seu. Não precisamos de outro”, afirmou Trump ao portal.

A tentativa de contenção expõe o esforço da Casa Branca para impedir que a guerra comprometa as negociações em curso com Teerã. A reação de Netanyahu também deve indicar até que ponto Trump ainda consegue influenciar as decisões militares de Israel em um conflito que envolve diretamente os interesses americanos no Oriente Médio.

Nos bastidores, a relação entre Washington e Tel Aviv também enfrenta desgaste. Segundo o New York Times, relatórios recentes da inteligência americana levantaram preocupações sobre uma possível tentativa de agências israelenses de monitorar conversas de negociadores dos Estados Unidos envolvidos nas tratativas com o Irã.

As suspeitas incluem preocupações de que Israel tenha tentado grampear altos funcionários americanos, entre eles Steve Witkoff, principal negociador de Trump; Elbridge A. Colby, autoridade do Pentágono; e Michael P. DiMino IV, um de seus principais adjuntos. Israel nega as acusações.

A guerra, iniciada no fim de fevereiro após ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, também frustrou expectativas de parte da oposição iraniana no exterior. Alguns opositores da República Islâmica esperavam que a ofensiva pudesse enfraquecer ou derrubar o regime teocrático. Cem dias depois, o cenário é de destruição, perdas civis e agravamento da crise econômica dentro do país.

Segundo o New York Times, o número de civis mortos no Irã é estimado em 1.700 desde o início da guerra. A destruição de infraestrutura e o colapso econômico transformaram a rotina da população em uma luta diária por sobrevivência, enquanto o cessar-fogo permanece instável e a região volta a temer uma guerra mais ampla.

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