MOTIVOS DESCONHECIDOS

Confronto com a polícia deixa um morto em Piracicaba

Dois ônibus foram queimados no bairro Bosques do Lenheiro durante os enfrentamentos

Ana Cristina Andrade/Juliana Franco
01/08/2013 às 22:56.
Atualizado em 27/04/2022 às 15:39

Dois ônibus foram queimados e uma pessoa morreu em confronto entre a guarda civil municipal, Polícia Militar (PM) e moradores do bairro Bosques do Lenheiro, periferia de Piracicaba, na noite desta quinta-feira (1). O conflito teve início por volta das 17h. Os motivos ainda são desconhecidos. Informações não oficiais – junto a residentes da região e policiais – o fato ocorreu durante uma reintegração de posse.Segundo contam os moradores, no momento da ação, houve discussão entre residentes e autoridades – eles revelam que desde o início a PM acompanhava o trabalho da Guarda. Em meio ao bate boca, ouviram tiros.Ao menos duas pessoas foram baleadas. Frederico Alves de Jesus, 23 anos, foi atingido por um tiro na cabeça e morreu. Segundo apurou a Gazeta de Piracicaba, ele era trabalhador e não tinha passagem pela polícia.Até às 22h30, houve a confirmação de que um ferido havia sido socorrido pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e encaminhado para o Pronto Socorro da Vila Sonia.Não há informação de quem foi responsável pelo tiro, mas moradores acusam a Guarda. Revoltados, os habitantes atearam fogo em dois ônibus – um deles de uma empresa particular que faz o transporte de trabalhadores locais.Moradores dizem que ao incendiarem o veículo, os passageiros e o motorista foram impedidos de deixarem o ônibus. Houve desespero e as pessoas saíram pelas janelas. Ele transitava pela rua Deputado Roque Trevisan. Estes precisaram se esconder em um barracão até que os ânimos se acalmassem.O outro ônibus queimado, de acordo com a polícia, é um veículo do transporte coletivo e estava no final da rua dos Pinheiros.O fogo atingiu a rede de distribuição de energia elétrica. Segundo nota divulgada pela CPFL Paulista, a energia teve que ser interrompida por volta das 18h37 e prejudicou 2.881 clientes da região – inclusive habitantes do bairro Gilda. O fogo foi contido por profissionais do Corpo de Bombeiros. CercoDurante o confronto, a polícia cercou o bairro. Moradores foram impedidos de entrar ou deixar o local. Quem tentou furar o bloqueio foi pego e passou por revista.Moradora do Bosque, uma empregada doméstica disse que a única opção, diante aos fatos, era dormir na rua. “Enquanto não acabar este confronto, não tenho como voltar para casa. Trabalhei o dia todo e parece que vou ter que dormir na rua. Mesmo porque, como vou entrar no bairro que não tem uma iluminação? É capaz deles me darem um tiro”, disse.Um outro residente conseguiu deixar o local após apresentar o holerite para a PM. Ele estava a caminho do trabalho. Para alcançar um ônibus, precisou caminhar 45 minutos. “Antes de sair os policiais militares pediram para que eu voltasse um quarteirão e avisasse ao povo que estava lá a necessidade de recuar”, diz.Uma mulher disse que ficou sabendo do conflito ao levar sua manicure para a casa, no bairro Gilda. “Quando cheguei no local estava sem luz, lotado de polícia e vi vários clarões. Cheguei a comentar com a minha manicure que seriam rojões. Quando voltei para a casa fiquei sabendo que se tratava de tiros”. ApoioO helicóptero Águia da PM deu apoio aos policiais militares durante toda a ação. A perícia chegou por volta das 19h30, junto com um carro funerário. Eles deixaram o bairro por volta das 20h45. Logo depois, as equipes da PM também saíram do local. InsegurançaOs veículos do transporte coletivo de Piracicaba transitaram apenas até o bairro Mario Dedini. Moradores precisaram caminhar mais de 40 minutos para chegar em suas casas.Por medidas de segurança, o serviço de guincho contratado para retirar os ônibus foram cancelados. A previsão é que seja realizado na manhã desta sexta-feira (2).Os moradores da região continuavam no escuro. Nota da CPFL Paulista informou que as equipes da empresa aguardam a liberação do local pela polícia para realizar os trabalhos de recomposição do sistema.A Gazeta de Piracicaba tentou contato com o comandante da Guarda Civil Municipal, capitão Silas Romualdo, telefonou para o 10º Batalhão da PM, no CPI 9 (Comando de Policiamento do Interior) e na 4ª CIA, mas ninguém retornou os contatos. HomicídioA morte do jovem Frederido Alves de Jesus foi registrada como homicídio pelo delegado Emerson Marinaldo Gardenal. Outros conflitosNo dia 8 de fevereiro de 2012 houve confronto entre moradores e a PM, no Bosque dos Lenheiros. O enfrentamento foi com pedras e rojões.Na ocasião, a revolta se deu porque a polícia deteve cinco menores que estavam dentro de um carro tido como suspeito. Houve disparo de balas de borracha e algumas pessoas foram detidas.No dia 10 de fevereiro de 2012, mais um confronto entre moradores e policiais foi registrado. Durante o enfrentamento, também teve um ônibus queimado e os bombeiros foram impedidos de entrar no bairro para conter as chamas.Neste dia, a confusão ocorreu como represália a prisão de um suspeito de tráfico e sua família. Nos dois casos, a população reclama de violência por parte da PM.

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