Patrimônio

Capela dos Aflitos, na Liberdade, reabre neste sábado

Evento terá missa e também celebra aniversário de 247 anos da construção

Da Redação
26/06/2026 às 06:04.
Atualizado em 26/06/2026 às 06:04

Com as obras, a capela recebeu iluminação adequada, a fachada foi refeita (Divulgação)

A Capela de Nossa Senhora das Almas dos Aflitos, na Liberdade, em São Paulo, será reaberta neste sábado (27), com uma missa às 10h para também celebrar os 247 anos da construção. O restauro teve início em abril de 2025 e foram investidos mais de R$3,2 milhões para modernização, acessibilidade, preservação e revitalização do espaço histórico.

Com as obras, a capela recebeu iluminação adequada, a fachada foi refeita, o velário foi reconstruído, os maciços em taipa de pilão que apresentavam erosão severa foram consolidados, os bancos foram restaurados, assim como o telhado e a sacristia e também foi construído um local para o sepultamento dos remanescentes humanos encontrados na pesquisa arqueológica.

Também é destaque a reintrodução do relógio que foi perdido na década de 1950. O local agora tem acessibilidade geral como mapa e piso tátil, áudio e libras. Foram restaurados os sinos, além de pisos, esquadrias em madeira, forro, paredes e pinturas decorativas. Foi realizada a instalação de sistema de climatização para preservação de acervo, um novo sistema de monitoramento por câmeras. O portão de acesso agora é automatizado e a parte elétrica e hidráulica, assim como o sistema de combate a incêndio por gás inerte foram atualizados.

Em 2024, a causa recebeu R$2 milhões por meio do edital do Proac, da Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo de São Paulo e do Ministério da Cultura, pela Carollo Arquitetura e Restauro, responsável pela obra, em parceria com a Unamca, porém novos recursos foram necessários. Em 2025, a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa, liberou R$1,2 milhão à Mitra Arquidiocesana de São Paulo, proprietária e administradora da capela, que possibilitou o início do processo de restauro.

O dia 27 de junho representa não apenas a inauguração da capela em 1779, mas também celebra o aniversário da União dos Amigos Capela dos Aflitos (Unamca), criada em 2018, com o objetivo de preservar o local e sua história e, agora, a reabertura do espaço depois de uma grande reforma. No ano passado, o início da reforma também foi comemorado no mesmo dia.

“A reforma da Capela foi muito requisitada pelos munícipes, principalmente da comunidade negra, para ter um espaço contando parte de sua história no bairro da Liberdade. É uma grande realização poder entregar este espaço para a cidade”, diz Totó Parente, Secretário Municipal de Cultura e Economia Criativa.

Todo o processo de revitalização do espaço foi marcado por descobertas arqueológicas, como cinco a dez pessoas sepultadas, o que confirma o uso histórico da área como parte do Cemitério dos Aflitos, datado de 1775 e ativo até meados do século 19. Lá eram sepultadas pessoas indígenas, africanas e seus descendentes. As execuções dessas pessoas ocorriam no Campo da Forca, que hoje é a Praça da Liberdade, e aqueles cujos corpos não eram mutilados acabavam sepultados em torno da capela.

Durante os anos, a Capela dos Aflitos recebeu várias intervenções, por exemplo, em 1779, quando foi inaugurada, o espaço era menor e mais tarde expandiu. Em 1890, passou por uma grande reforma, assim como em 1960. Em 1994, o restauro foi necessário após o incêndio que não se sabe o motivo, mas acredita-se ter sido causado pela parte elétrica e a restauração que começou em 1995 não foi concluída.

Com o tempo, a situação da capela se agravou, até que em 2018, a construção de um prédio ao lado causou rachaduras nas paredes e fez o telhado ceder, o que trouxe infiltrações. No mesmo ano, a Unamca surgiu para cuidar da zeladoria da capela e requisitar os recursos necessários para a restauração. A obra do prédio ao lado foi interrompida, dando início a um novo processo de ressignificação da área.

Por essa história, será construído o Memorial dos Aflitos, para preservar a história no bairro. E para novembro deste ano, no mês da consciência negra, está previsto o lançamento de um livro sobre as escavações arqueológicas do local e sobre educação patrimonial.

"É gratificante devolver, em conjunto com a prefeitura e o governo, esse patrimônio cultural para a cidade de São Paulo para o país e para o mundo, já que estamos falando também da memória sobre a escravidão transatlântica, a gente está falando de uma memória do mundo também em relação a esse passado e agora continuar zelando pelo um legado ancestral que toma a paisagem do bairro da Liberdade”, diz Lucas Almeida, diretor do coletivo Unamca, entidade que centraliza as lutas pela preservação da Capela.

Chaguinhas, o santo da Liberdade

O cabo do exército Francisco José das Chagas, conhecido como Chaguinha, foi um dos executados na Praça da Liberdade, acusado de ser um dos principais articuladores da revolta nativista de 1821.

Mais tarde, Chaguinha passou a ser considerado um santo popular. Antes da execução, ele ficou preso dentro da Capela dos Aflitos, e, até hoje, na porta do velário que foi preservada, as pessoas batem três vezes e deixam bilhetes com pedidos para o santo.

Serviço

Atração: Reabertura da Capela dos Aflitos

Quando: Sábado (27), às 10h

Onde: Capela de Nossa Senhora das Almas dos Aflitos | Rua dos Aflitos, 70 - Liberdade

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