Projeto prevê restauração e digitalização de jornais, revistas e microfilmes raros.
Interior da Biblioteca Mário de Andrade (Sylvia Masini)
A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura (SMC) e da Biblioteca Mário de Andrade (BMA), anuncia a captação de R$ 5,74 milhões destinados à preservação, organização, digitalização e ampliação do acesso público ao acervo histórico de periódicos e microfilmes da instituição. O trabalho será conduzido em uma parceria técnica com a Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP).
O recurso foi garantido por meio da aprovação da proposta na Chamada Pública “Identidade Brasil – Recuperação e Preservação de Acervos 2025”, promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) por meio da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) e do Fundo Nacional de Desenvolvimento Tecnológico e Científico (FNDCT).
O secretário municipal de Cultura, Totó Parente, e a diretora da Biblioteca Mário de Andrade, Luiza Thesin, comemoraram a aprovação do projeto, que trará um salto tecnológico e de conservação para a instituição. Fundada há mais de 100 anos, a BMA é a segunda maior biblioteca do país.
“Vamos conseguir dar mais acesso para todos os nossos periódicos da hemeroteca e da coleção de artes também”, destaca a diretora Luiza Thesin. “A gente avalia que será um avanço de 20 anos de trabalho da Biblioteca”, conclui.
Modernização e acesso democrático
Com execução prevista para 36 meses, a iniciativa transformará a rotina de pesquisa na biblioteca. O cronograma inclui a organização minuciosa do acervo, catalogação de periódicos, melhorias estruturais na hemeroteca e higienização especializada dos materiais. Para garantir a longevidade física das obras, serão adquiridas novas estantes e caixas de acondicionamento com padrão museológico.
Após a fase de tratamento físico, os conteúdos passarão pelo processo de conversão para o formato digital. O projeto contou com a participação fundamental da Área de Projetos e dos cursos de Biblioteconomia e Arquivologia da FESPSP.
Segundo Isabel Cristina Ayres da Silva Maringelli, coordenadora da pós-graduação em Arquivologia da FESPSP e uma das responsáveis pelo projeto, a medida é urgente para a salvaguarda da memória nacional. “Esse acervo tem enorme valor histórico. Muitos jornais e revistas preservados pela Biblioteca Mário de Andrade não estão disponíveis em outros locais, o que torna o trabalho de conservação ainda mais importante”, afirma.
Isabel também ressalta o desafio da coleção de microfilmes. Embora tenham sido a melhor alternativa de preservação no passado, hoje exigem equipamentos de leitura cada vez mais raros no mercado. “Com a digitalização, esse material poderá ser acessado com mais facilidade, sem deixar de proteger os documentos originais”, explica a docente.
A digitalização garantirá que pesquisadores, estudantes e toda a população tenha acesso simplificado e remoto a materiais de inestimável valor científico e historiográfico, democratizando definitivamente um dos mais ricos acervos do país.