
Nutricionista Renata Forti diz que plano alimentar adequado pode reduzir os sintomas da doença (Divulgação)
Dores diárias e generalizadas pelo corpo, fadiga extrema, sono não reparador, sensibilidade ao toque e intestino irritado. Esses são apenas alguns dos sintomas enfrentados por pessoas que convivem com a fibromialgia.
Embora a doença não tenha cura, muitos de seus sintomas podem ser amenizados por meio de uma alimentação equilibrada e adequada às necessidades individuais de cada paciente. A afirmação é da nutricionista Renata Forti, pós-graduada em Endocrinologia e Metabologia. Segundo a especialista, a alimentação exerce influência direta sobre mecanismos do organismo relacionados à fibromialgia.
"Os alimentos têm grande impacto sobre o sistema neuroendócrino. Pessoas com fibromialgia costumam apresentar inflamação crônica de baixo grau, alterações intestinais, dores de cabeça, estresse oxidativo - associado à fadiga e à dor -, além de outros fatores que podem ser modulados pela alimentação. Com um plano alimentar adequado, é possível reduzir significativamente esses sintomas e, consequentemente, melhorar a qualidade de vida", explica.
Renata, que convive com a fibromialgia há mais de 20 anos, destaca que alguns alimentos podem intensificar os sintomas da doença e, por isso, devem ser consumidos com cautela ou evitados. Entre eles estão produtos à base de farinhas refinadas, alimentos ultraprocessados, carnes vermelhas, bebidas alcoólicas, açúcares e alimentos ricos em FODMAPs, grupo de carboidratos fermentáveis que pode provocar desconfortos intestinais em pessoas sensíveis.
De acordo com a nutricionista, o glúten, a lactose e os alimentos ricos em FODMAPs podem interferir na saúde da microbiota intestinal, provocando alterações que repercutem no sistema neuroendócrino e podem contribuir para a piora dos sintomas da fibromialgia. "Esses alimentos podem favorecer processos inflamatórios no organismo. Além disso, o açúcar e o álcool aumentam a fadiga, prejudicam a qualidade do sono e reduzem a disposição, fatores que impactam diretamente a qualidade de vida de quem convive com a fibromialgia", afirma.
Ainda segundo a profissional, estudos apontam que uma alimentação rica em determinados nutrientes pode contribuir para o controle dos sintomas da fibromialgia. Entre eles está o triptofano, aminoácido precursor da serotonina e da melatonina, hormônio associado à qualidade do sono. Esse nutriente pode ser encontrado em alimentos como ovos, peixes, leite, banana, aveia e castanhas.
Também se destacam os alimentos ricos em magnésio, como espinafre e sementes, e em ômega-3, presente principalmente em peixes como salmão, sardinha e atum, além de chia e linhaça. "Esses nutrientes, entre outros, têm apresentado resultados promissores na melhora da qualidade de vida de pessoas com fibromialgia, quando associados a uma alimentação equilibrada e ao tratamento adequado", ressalta.
A nutricionista reforça que, além da alimentação adequada, as pessoas que convivem com fibromialgia precisam de acompanhamento multidisciplinar, envolvendo médicos especialistas, como reumatologistas, profissionais do movimento, como fisioterapeutas e educadores físicos, e especialistas em saúde mental, como psicólogos.