A Prefeitura de São Paulo pediu explicações ao Instituto Conhecer Brasil por despesas realizadas no primeiro semestre do ano passado no âmbito do contrato para a instalação de pontos de wi-fi livre em comunidades de baixa renda da capital paulista.
O Instituto Conhecer Brasil é uma organização não governamental (ONG) presidida por Karina da Gama, dona da Go Up Entertainment, responsável pela produção de "Dark Horse", filme inspirado na vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) - e foi alvo de operação policial.
A entidade deve prestar esclarecimentos por pagamentos que somam R$ 13,4 milhões. Do montante, R$ 906 mil foram sinalizados para "restituição imediata" caso a organização não justifique os gastos de forma adequada.
Em 2024, a entidade fechou um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo. O termo foi aditado em R$ 49 milhões. O convênio está na mira da Polícia Civil de São Paulo por suspeitas de fraude e desvio de dinheiro público. A corporação suspeita de desvios da verba pública para o financiamento do filme inspirado na vida de Bolsonaro.
A Prefeitura de São Paulo oficiou a ONG da produtora de "Dark Horse" por gastos realizados sem a devida comprovação por notas fiscais. Em outros casos, a gestão municipal sinalizou a ausência de especificação dos serviços prestados.
Karina da Gama confirmou o recebimento do ofício nesta segunda-feira, 6 de julho. A entidade tem até 30 dias, contados a partir do recebimento da notificação, para prestar os esclarecimentos solicitados.
Em nota, a Prefeitura disse que o ofício à ONG "confirma o trabalho sério e rigoroso de fiscalização ativa da parceria. Já Karina da Gama, em nome da entidade, afirmou que atenderá a diligência da gestão "com a máxima brevidade e transparência".
A administração glosou R$ 906 mil para "restituição imediata". Segundo o ofício da Prefeitura, tratam-se de despesas relativas a notas fiscais canceladas.
"Estamos em conjunto com os fornecedores e parceiros, reunindo toda a documentação e as informações complementares solicitadas", disse a presidente da organização.
Das 41 despesas sinalizadas pela Prefeitura de São Paulo como suspeitas, quatro foram destinadas à Complexsys. Esses gastos totalizam R$ 2,2 milhões.
Como mostrou o Estadão, em dezembro de 2024, o Instituto Conhecer Brasil fez dois pagamentos a essa empresa, totalizando R$ 1,3 milhão. Naquele momento, um dos sócios da Complexsys também era dirigente da entidade. A contratação por ONGs de empresas de seus próprios dirigentes é vedada pela legislação, dado o conflito de interesses. Em março de 2025, o sócio da Complexsys deixou a diretoria da ONG. Houve mais pagamentos da entidade para a empresa nos meses seguintes.