Economia

Fim da 6x1 agrava competitividade em modelo de produção que já corre risco, diz Herlander Zola

Estadão Conteúdo
09/06/2026 às 16:41.
Atualizado em 09/06/2026 às 16:46

O presidente da Stellantis na América do Sul, Herlander Zola, disse hoje que o fim da escala de trabalho 6x1, que avança no Congresso, deve tornar os carros chineses ainda mais competitivos na disputa pela preferência do consumidor brasileiro.

"Em comparação com o que acontece na China, piora a nossa competitividade, sem dúvida. As horas trabalhadas na China durante uma semana são muito maiores do que aquelas que teremos no Brasil com o modelo que está sendo discutido", comentou Zola em entrevista a jornalistas, após participação no Anfavea Visions, fórum promovido pela Anfavea, a associação das montadoras com fábricas no Brasil.

Para o executivo, que lidera um grupo com seis marcas no País - entre elas, Fiat, Jeep e Citroën - o modelo de produção local de automóveis corre risco diante da invasão chinesa. "Muitos dos players nacionais têm parcerias fortes na China, que podem ser utilizadas caso o modelo daqui não se mostre competitivo o suficiente."

Durante o evento, ele participou de um painel, junto com os presidentes da Toyota e da Renault, que discutiu o desafio da competitividade na indústria nacional de automóveis. Após fazer comparações que mostram ampla vantagem chinesa no custo de capital, matérias-primas e trabalho, Zola frisou em sua intervenção que é importante refletir sobre a viabilidade do modelo de produção local.

"O nosso investimento nesse modelo de negócio é muito pesado. Obviamente, queremos concentrar os nossos esforços, mas desde que tenhamos o nível de competitividade necessário. Esse é o aspecto que está em jogo hoje", declarou o CEO da Stellantis. O ciclo de investimentos da montadora no Brasil prevê R$ 30 bilhões até 2030.

Presidente da Renault no Brasil, Ariel Montenegro disse que as montadoras com operações locais perderam 7% da participação que tinham em mercados vizinhos. Segundo o executivo, localização e engenharia nacional são fundamentais para geração de emprego, mas as montadoras precisam também buscar soluções para seguirem competitivas. "O que funcionou no passado não necessariamente vai funcionar no novo presente", comentou Ariel.

Para Evandro Maggio, presidente da Toyota no Brasil, políticas públicas, como o Mover, programa do governo federal de incentivos à produção nacional de veículos, são importantes para neutralizar assimetrias competitivas. Ele ressaltou, contudo, que os programas precisam ser de longo prazo.

"O mais importante não é uma medida isolada, aqui ou ali. O mais importante é um programa de longo prazo. Países que fizeram uma revolução na indústria automobilística tiveram programas de 10 ou até 20 anos", assinalou Maggio.

"No Brasil, precisamos combinar programas de curto prazo, ao mesmo tempo que precisamos olhar infraestrutura, custo de produção e formação de mão de obra para que haja produtividade a longo prazo", finalizou o presidente da Toyota.

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