Priscila Cruz, cofundadora e presidente-executiva do Todos Pela Educação, destacou nesta quinta-feira, 11, durante o Brasil Adiante, que é necessário demonstrar de forma mais clara a relação entre ensino de qualidade e desenvolvimento econômico. Segundo ela, muitos agentes políticos ainda não enxergam a educação como um tema estratégico para o crescimento do País.
"Precisamos fazer a conexão da educação com crescimento econômico, com empregos melhores, preparação para o mercado de trabalho", disse.
O Brasil Adiante é um projeto do Estadão para apresentar propostas concretas para os principais problemas do País. O ciclo de debates vai até o final de agosto, após o início da campanha eleitoral. As soluções elaboradas serão consolidadas em um documento que será entregue em novembro ao vencedor das eleições presidenciais. A ideia é encaminhar uma agenda integrada e executável de soluções para os primeiros 24 meses do próximo governo.
Para Priscila Cruz, o investimento em educação não deve ser visto somente como o acesso a um direito do cidadão, mas como um "pilar" para o próprio desenvolvimento de uma nação. "Nenhum país se arrependeu de priorizar a educação", afirmou a especialista, que também defendeu que a formação dos alunos esteja voltada para a economia digital.
A presidente-executiva do Todos Pela Educação afirmou também perceber uma redução do interesse pelo tema da educação em comparação com anos anteriores. Segundo ela, pautas ligadas à segurança pública têm dominado o debate político e gerado mais engajamento. "Esse é um ano em que estou sentindo menos interesse em educação", disse.
Ao comentar o cenário educacional em São Paulo, Priscila citou a expansão das escolas cívico-militares como exemplo de debate que, em sua avaliação, tem forte componente político e ideológico. "Isso tem muito mais a ver com agradar uma parte do eleitorado do que melhorar a educação brasileira", afirmou. Para a especialista, discussões desse tipo acabam desviando atenção de medidas com maior potencial de impacto na aprendizagem.
Premiações e incentivos para disseminar boas práticas
Na avaliação da especialista, é preciso criar mecanismos que valorizem gestores capazes de entregar resultados e ampliem a pressão sobre quem não prioriza a educação. Segundo Priscila Cruz, o País depende excessivamente da qualidade de quem ocupa cargos de poder. "Não podemos ficar simplesmente assistindo aquilo que acontece", disse, ao defender a criação de premiações e incentivos para disseminar boas práticas.
Neste cenário, Priscila destacou que o Brasil vem melhorando a qualidade da educação em ritmo acelerado, mas as políticas públicas mais eficientes estão concentradas em poucos gestores públicos. Segundo ela, para disseminar políticas educacionais mais eficientes por todo o País, os modelos com melhor resultado devem ser estimulados e premiados. "Temos que criar uma certa competição e fazer com que os entes da federação se sintam constrangidos em não fazer (investimento em educação)", afirmou.