Política

Damares defende Michelle e diz ser atacada por aliados; 'quem está financiando tudo isso'

Estadão Conteúdo
13/07/2026 às 18:23.
Atualizado em 13/07/2026 às 18:26

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) fez um pedido público de pacificação entre a direita, levantou suspeitas sobre financiamento de ataques contra políticos conservadores como ela e defendeu a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, sua principal aliada.

A senadora fez as declarações em discurso no plenário do Senado nesta segunda-feira, 13. Ela disse ter recebido, nas últimas semanas, "ataques à honra, à moral, à imagem". "E ataques vindo de pessoas que eu considerava aliadas", afirmou.

Segundo a senadora, a Advocacia do Senado se colocou à disposição dela, porque algumas mensagens teriam configurado violência política de gênero. A equipe de Damares já estaria fazendo uma peça jurídica sobre isso. "É dessa forma que a gente se protege."

"Queria dizer para esse exército da direita: parem de atacar os seus soldados. Não é dessa forma que vocês vão mostrar para o Brasil que é muito bom ser conservador, não. Tem muita gente rejeitando a nossa proposta, porque estão dizendo: 'É isso que é ser conservador? Atacar seu próprio soldado, atacar seu próprio exército?'", disse Damares.

Ela ainda levantou suspeitas sobre uma suposta coordenação desses ataques. "E aqui fica a grande pergunta: quem está financiando tudo isso? A quem interessa essa fragilidade da direita? Será que tem dinheiro envolvido nesses ataques todos?", questionou.

Em seguida, Damares dedicou parte final do pronunciamento para defender a amiga Michelle. "Estou aqui, amiga, enquanto eu tiver força, para dizer para o Brasil que você é uma mulher digna, justa, honesta, que você não trai, que você não mente, que você não se corrompe", disse.

No mês passado, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro divulgou um vídeo com críticas ao enteado em meio a divergências entre os dois sobre uma aliança eleitoral no Ceará.

A crise provocada pelo vídeo divulgado levou à renúncia de Michelle da presidência do PL Mulher e ao afastamento de publicações nas redes sociais.

Em ato público em Fortaleza nesta última sexta-feira, 10, houve uma manifestação pública de fogo amigo. O deputado federal André Fernandes (PL-CE) aproveitou o seu discurso para atiçar o fogo da rixa familiar, sem mencionar a primeira-dama. A provocação foi feita num momento em que ele mencionava ter saudades do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre a pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.

"Eu fico olhando ali o rosto dele, o nosso eterno presidente. O nosso galego; não é de ninguém individual, não. É o nosso galego", afirmou. Galego é um apelido que Michelle usa para se referir ao marido - foi assim que ela se referiu por diversas vezes a Bolsonaro no vídeo.

Damares não é a única a agir em defesa de Michelle. Em entrevista ao Estadão, o deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP), disse que a ex-primeira-dama se manifestou publicamente "por não aguentar mais a pressão" e que ela estaria sendo alvo de ataques de influenciadores ligados aos filhos de Bolsonaro há anos.

"Esse movimento dos filhos do Bolsonaro, em especial do Carlos e do Eduardo, talvez menos do Flávio, em fomentar nas redes sociais via influenciadores ligados a eles. Esses influenciadores estão há meses, para não dizer anos, atacando a Michelle reiteradamente de uma maneira muito baixa. E ela chegou a um momento em que não aguentou", disse Salles.

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