Economia

Brasileiro sancionado pelos EUA por elo com o PCC é investigado no caso Corinthians-Vai de Bet

Estadão Conteúdo
01/07/2026 às 17:31.
Atualizado em 01/07/2026 às 17:41

Alvo de sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, o brasileiro Victor Henrique de Oliveira Shimada é investigado por lavagem de dinheiro no caso "Vai de Bet", que apura um suposto esquema de associação criminosa, furto qualificado e lavagem de dinheiro envolvendo o contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas. O Estadão tenta contato com a defesa de Shimada.

Segundo o Ministério Público, a empresa Victory Trading, ligada a Shimada, colaborou para que parte dos valores desviados dos cofres do Corinthians fossem transferidos à UJ Football Talent, que figura na rede de empresas fantasmas.

A investigação aponta que, entre 26 e 28 de março de 2024, a empresa Wave transferiu R$ 13.612.311,88 para a Victory, que repassou R$ 200 mil para a conta da UJ Football Talent.

Ainda segundo os investigadores, selfies enviadas para instituições financeiras mostram que Shimada e o sócio da Wave estavam no mesmo local ao tirarem as fotos. Shimada foi denunciado pelo crime de lavagem de dinheiro.

Entenda o caso Vai de Bet

Primeiro contrato da gestão Augusto Melo, o acordo de R$ 360 milhões da Vai de Bet com o Corinthians, rescindido unilateralmente pela casa de aposta em junho de 2024, previa o pagamento de 7% do montante líquido de cada parcela à intermediadora Rede Media Social Ltda. Ou seja, R$ 700 mil por mês ao longo de três anos, resultando em R$ 25,2 milhões ao fim do contrato.

Citada no contrato como intermediadora do negócio, a Rede Media Social Ltda. tem CNPJ no nome de Alex Cassundé, antigo integrante da equipe de comunicação do presidente Augusto Melo.

A rescisão por parte da Vai de Bet ocorreu após vir à tona repasses de parte da comissão pela Rede Media Social Ltda à Neoway Soluções Integradas em Serviços Ltda, suposta empresa "laranja" cujo CNPJ está em nome de Edna Oliveira dos Santos, mulher de origem humilde de Peruíbe, no litoral paulista.

A Polícia Civil, por meio da Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), concluiu que a Rede Social Media Ltda usou uma rede de empresas fantasmas para fazer R$ 1 milhão chegar à conta bancária da UJ Football Talent Intermediação, apontada como braço do PCC. O clube nega ter contrato com a empresa.

Líder do núcleo paulista e elo com o PCC na Flórida

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira, 1º, sanções contra dois brasileiros, três empresas sediadas no Brasil e uma companhia em Portugal por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo o governo americano, o grupo movimentou mais de US$ 30 milhões provenientes do tráfico internacional de drogas e de outras atividades ilícitas.

Shimada é apontado pelo Departamento do Tesouro como líder do núcleo paulista da rede de lavagem de dinheiro e o elo entre integrantes do PCC na Flórida e traficantes internacionais.

Segundo as autoridades americanas, ele teria lavado mais de US$ 30 milhões utilizando criptomoedas para enviar recursos dos Estados Unidos ao Brasil.

O Tesouro afirma ainda que Shimada já cumpriu prisão domiciliar no Brasil por investigação relacionada à lavagem de recursos desviados de um clube de futebol brasileiro em um esquema de fraude publicitária.

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