A morte de Luiz Carlos Barreto, aos 98 anos, marca o fim da trajetória de um dos maiores produtores da história do cinema brasileiro. Mas sua contribuição para o audiovisual vai além das mais de seis décadas dedicadas à produção de filmes. Ao lado da esposa, a produtora Lucy Barreto, Barretão construiu uma família que deixou uma grande marca na cinematografia nacional ao longo de diferentes gerações.
Os filhos Bruno Barreto e Fábio Barreto seguiram os passos dos pais e se tornaram cineastas reconhecidos dentro e fora do Brasil. Juntos, ajudaram a consolidar a LC Barreto Produções como uma das empresas mais importantes do setor e ampliaram a presença do cinema brasileiro em festivais e premiações internacionais.
Bruno Barreto conquistou projeção internacional
Nascido no Rio de Janeiro em 1955, Bruno Barreto cresceu cercado por câmeras, roteiros e grandes nomes do Cinema Novo. Filho de Luiz Carlos e Lucy Barreto, dirigiu seu primeiro curta-metragem ainda na infância e estreou nos longas aos 17 anos com Tati, a Garota.
O reconhecimento veio poucos anos depois com Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), adaptação da obra de Jorge Amado que permaneceu por décadas como a maior bilheteria da história do cinema brasileiro. Ao longo da carreira, Bruno também assinou filmes como Gabriela, O Casamento de Romeu e Julieta, Última Parada 174, Flores Raras e O Que É Isso, Companheiro?, indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional em 1998.
Além de dirigir produções brasileiras, o cineasta também desenvolveu parte da carreira nos Estados Unidos, comandando filmes em Hollywood antes de retornar ao País para novos projetos.
Fábio Barreto também levou o Brasil ao Oscar
Dois anos mais novo que Bruno, Fábio Barreto nasceu em 1957 e iniciou sua trajetória no cinema ainda jovem, trabalhando como assistente de direção antes de estrear como diretor de longas no início da década de 1980.
Seu maior reconhecimento veio com O Quatrilho (1995), indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional. Posteriormente, dirigiu outras produções de destaque, entre elas Lula, o Filho do Brasil, lançado em 2009.
A carreira de Fábio foi interrompida de forma abrupta no fim de 2009, quando sofreu um grave acidente de carro no Rio de Janeiro. O cineasta entrou em coma após um traumatismo craniano e permaneceu em tratamento por quase dez anos, até morrer, em 2019, aos 62 anos.
Uma família que marcou a história do cinema
Ao lado de Lucy Barreto, Barretão acompanhou de perto a formação dos filhos e a consolidação de suas carreiras. A família esteve envolvida em algumas das produções mais importantes do cinema brasileiro, atravessando diferentes momentos da indústria, do Cinema Novo à retomada do audiovisual nacional.
À frente da L.C. Barreto, fundada em 1963 pelo casal, fica a filha caçula Paula, produtora de cinema e televisão. Ela começou sua carreira no início dos anos 1980, atuando em diversas áreas de bastidores, como figurino e montagem, antes de focar na produção na década de 1990, envolvendo-se em projetos como A paixão de Jacobina (2002), de Fábio Barreto, O Caminho das Nuvens (2003), de Vicente Amorim, O Casamento de Romeu e Julieta (2005), de Bruno Barreto, entre outros filmes.
O legado construído pelos Barreto reúne filmes que conquistaram milhões de espectadores, indicações ao Oscar e reconhecimento em festivais internacionais. Com a morte de Luiz Carlos Barreto, encerra-se um capítulo importante da história do cinema brasileiro, mas permanece viva a contribuição de uma família que ajudou a projetar o audiovisual nacional para o mundo.