Não foi por só mérito de um e queda de rendimento do outro. O verdadeiro motivo da troca do experiente Aranha pelo jovem Ivan no gol da Ponte Preta veio à tona quando a diretoria confirmou, por meio de nota enviada à imprensa, que o jogador de 37 anos de idade está fora dos planos da Comissão Técnica. "A Ponte Preta conversa com o goleiro Aranha e seu empresário para um acordo de rescisão contratual de forma amigável. O clube reforça que tem grande respeito pelo goleiro Aranha e sua história não só na Ponte Preta, mas também no futebol", diz a nota do clube. Aranha estava treinando entre os reservas desde o dia 2 e foi liberado até quarta-feira. O certo é que o jogador não vestirá mais a camisa do time, que defendeu em 209 partidas até ser descartado por ser "caro" (o salário gira em torno de R$ 100 mil) e "velho" (37 anos de idade). De acordo com representantes de Aranha, a decisão pegou o atleta de surpresa. O plano do goleiro era encerrar a carreira em Campinas e fixar residência por aqui. Tanto que até iniciou a montagem de uma empresa com a esposa. A primeira proposta, que é equivalente a 20% do total devido no contrato que foi renovado no meio do ano passado e vai até dezembro de 2019, foi considerada "ridícula". Uma contraproposta foi apresentada ontem e, se não houver acordo até a próxima semana, o passo seguinte será acionar a Justiça Trabalhista. Considerando salários e direitos, a ação de Aranha poderá chegar a R$ 3 milhões. Ele seria, assim, o quarto a acionar o clube desde a virada do ano. Antes, o zagueiro Fábio Ferreira e os laterais Fernandinho e João Lucas apresentaram ações em que, no total, pedem mais de R$ 2 milhões por quebra de contratos. Vale ressaltar que a Macaca ainda tenta uma solução na demissão do zagueiro Rodrigo. O experiente atleta, que foi afastado depois das dedadas em um adversário, tem salários até dezembro deste ano e mais 10 parcelas de um acordo por dívidas antigas. Aranha não quer falar sobre a demissão. Mas, de acordo com pessoas próximas, está "abatido e decepcionado" com a conduta da diretoria. O goleiro esperava ser aproveitado e só foi informado na última terça-feira, quando foi chamado para uma reunião com a direção de futebol, que estava fora dos planos. O jogador chegou a falar que, diante da nova realidade financeira da Macaca, aceitaria uma redução salarial. Mas nem isso foi proposto, segundo os procuradores de Aranha, que ressaltam que não existe proposta de outro clube.