O ÍDOLO

As maiores emoções de uma lenda: Oscar

O 'Mão Santa' se notabilizou por sua incrível capacidade

Alison Negrinho
20/03/2018 às 17:40.
Atualizado em 19/04/2022 às 01:13

Considerado o maior nome da história do basquete brasileiro e uma das grandes lendas mundiais, Oscar Schmidt não é um cara de meias palavras ou que faz média com os outros. Muito pelo contrário, ele é conhecido por sua sinceridade que, às vezes, dói nos ouvidos de quem escuta ou nos olhos de quem lê. Em quadra, porém, seu brilhantismo era indiscutível, bem como seu amor pela Seleção Brasileira. O "Mão Santa", como é conhecido, se notabilizou por sua incrível capacidade de acertar a cesta rival nas situações mais adversas, com uma técnica impressionante, que saltava aos olhos de quem acompanhava nas arquibancadas. Apesar de todo o talento, ele não se vê como o melhor de todos os tempos no País. "Existem outros grandes jogadores e eu sou um dos melhores. Fico muito feliz que as pessoas pensem isso também". A história do astro poderia ter seguido um caminho diferente se dependesse da vontade do pai, que queria que ele prestasse um concurso bancário. A "desobediência" resultou em uma vitória pessoal do menino, que rapidamente viu o progenitor lhe dar razão. Em sua infância, porém, o Esporte que queria seguir era o futebol, mas logo percebeu que "não daria certo". Foi quando o basquete entrou em sua vida, aos 13 anos de idade, através de um professor de Educação Física do colégio, que era o mesmo treinador do time Unidade Vizinhança, de Brasília (DF). Na época, já com mais de 1,85m de altura, ele recebeu o conselho do educador para tentar a sorte, e passados 47 anos, todos conhecem o fim desta história. Momentos inesquecíveis Títulos e momentos marcantes na carreira do “Mão Santa” não faltam. Foram conquistas por Sírio, Corinthians, Flamengo, Seleção, Juvescaserta (Itália), Pavia (Itália), Forum Valladolid (Espanha), entre outros, além de recordes quebrados aos montes, como ter sido o jogador mais vezes cestinha em Jogos Olímpicos (três oportunidades) e maior pontuador mundial de basquete, com 49.737. Três lembranças, entretanto, são as mais especiais. A primeira delas aconteceu em 1979, quando defendia o Sírio e se sagrou campeão mundial em seu primeiro ano na equipe, com belas atuações ao longo da campanha. "Tive a honra de arremessar dois lances livres no fim do jogo para empatar a partida e ir para a prorrogação", disse, relembrando o duelo final contra a Bosna (da Iugoslávia), em que marcou dois pontos nos dois últimos segundos. Na sequência, vem o título Pan-Americano de 1987, em Indianápolis, nos Estados Unidos. A grande decisão foi contra os donos da casa e o Brasil chegou a ter uma desvantagem de 20 pontos, mas a dupla formada por Oscar e Marcel, com grande atuação, liderou a virada e a conquista. "É a melhor alegria que tive na carreira, não pelo título em si, mas aquilo foi uma vitória inesperada por todo mundo, inclusive por nós. Quando aconteceu foi algo que você não consegue dimensionar a felicidade". O outro momento mencionado pelo ex-ala se trata de quando atuou com seu filho Felipe no Flamengo, em 2002. "Jogar com ele foi uma emoção muito forte. São lembranças especiais porque as vitórias no esporte são marcantes mesmo, e jogar com seu filho é algo inesperado. Essas são as três grandes emoções da minha vida". Pela Seleção, ala disse não à NBA Quando atuava pelo Juvecaserta, em 1984, Oscar recebeu uma oferta para deixar a Itália e ir para os Estados Unidos, onde jogaria na NBA pelo New Jersey Nets. Na época, os Jogos Olímpicos não aceitavam atletas profissionais, apenas os que eram considerados amadores. Desta maneira, se topasse ir para os Estados Unidos, o ala precisaria abrir mão de defender a Seleção Brasileira, algo que jamais passou pela sua cabeça. "De forma alguma me arrependo. A NBA é uma liga de clubes, enquanto a seleção representa duzentos milhões de brasileiros. Nunca tive dúvida. Representei meu País sempre com muito carinho e orgulho. Além disso, tivemos resultados que considero praticamente inatingíveis", afirmou Oscar, que naquele tempo preferiu seguir atuando na Itália, onde era considerado um atleta amador pelo COI. Já após as Olimpíadas de 1992, ele recebeu um segundo convite para se transferir para a liga norte-americana e novamente rechaçou, mesmo que não houvesse mais o impedimento de jogar por um clube no País e também pela seleção. O motivo desta vez foi zelar por sua imagem, uma vez que temia não conseguir render o mesmo de antes. No ano passado, aos 59 anos de idade, ele pôde finalmente jogar na NBA. Membro do Hall da Fama do Basquete, atuou por 11 minutos no Jogo de Celebridades, em Nova Orleans, e marcou quatro pontos. O momento foi celebrado. "Fazia 14 anos que eu não jogava e a NBA me proporcionou essa alegria. Foi intenso, treinei um mês. Pena que joguei pouco, se ficasse mais em quadra, talvez pudesse ter sido o melhor jogador da partida".

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