Autora do romance em que se baseou Benoît Jacquot para fazer Adeus, Minha Rainha, Chantal Thomas fornece agora o material para Troca de Rainhas, de outro francês, Marc Dugain, nascido no Senegal
Autora do romance em que se baseou Benoît Jacquot para fazer Adeus, Minha Rainha, Chantal Thomas fornece agora o material para Troca de Rainhas, de outro francês, Marc Dugain, nascido no Senegal. O filme passou no Festival Varilux. É ótimo. Aluna de Roland Barthes, Chantal trabalha com seriedade. Adeus mostra a derrocada de Maria Antonieta pela lente de uma aia. Troca de Rainhas aborda os casamentos arranjados da realeza europeia.
Para fortalecer os laços entre França e Espanha e impedir novas guerras, o regente francês, Filipe de Orleans, propõe um duplo casamento. Luís XV, de apenas 11 anos, se casará com a infanta espanhola, de 4, e a filha do próprio Felipe, de 12, se casará com o herdeiro do trono de Espanha, de 16. O garoto espanhol enamora-se da noiva prometida. Ela o rejeita. Luís XV também é mal influenciado por amigos gays que desconsideram a menina espanhola.
Talvez por ter vindo das colônias, Dugain tem um olhar duro para a falsidade da corte. Discute a função dessas uniões arranjadas - produzir herdeiros. Há urgência de ambos os lados, e impossibilidades idem. São crianças! O filme aborda o assassinato da infância e a supressão dos sentimentos em negócios de Estado. Quando o herdeiro espanhol pede tempo para tentar conquistar a garota por quem se apaixonou, pai e mãe surpreendem-se - "Mas o amor nunca entrou nessa negociação."
Suntuosamente filmada e iluminada, a produção enche os olhos e se beneficia de participações ilustres.
Olivier Gourmet, dos filmes dos irmãos Dardenne, faz o regente francês e Lambert Wilson, o atormentado rei espanhol, que carrega a culpa pelas guerras - e mortes - que provocou. Mustii, o herdeiro espanhol, é um fenômeno da música belga. No final, Troca de Rainhas conta uma trágica história de amores impossíveis. E tem, gloriosa no papel da impotente babá do rei francês a Thérèse de Alain Cavalier - Catherine Mouchet, que também faz agora, 40 anos depois, a imperatriz virgem no início do novo Cacá Diegues, que abre Gramado, O Grande Circo Místico.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.