
Zé Risonho, a lenda (Renan Costa de Negri)
Em um mundo onde as histórias frequentemente se perdem no tempo, valorizar e registrar a memória artística é imprescindível. Com esse intuito, acontece nesta quarta-feira, 6, às 19h, no Centro Cultural de Charqueada (SP), o lançamento oficial dos documentários Entre Risos e Memórias: a vida de Zé Risonho em documentário e Zé Risonho: um retrato da cultura brasileira, de diretores de Piracicaba. A entrada é gratuita. Os materiais audiovisuais estarão disponíveis no Youtube na quinta-feira, dia 7, às 20h.
Entre Risos e Memórias: a vida de Zé Risonho em documentário tem direção de Renan Costa de Negri e Zé Risonho: um retrato da cultura brasileira é dirigido por Chico Galvão. Ambos os materiais audiovisuais trazem à tona a trajetória de Paulino Fernandes da Silva, conhecido como Zé Risonho, cuja história é marcada por valores culturais, sonhos e superações que o elevam a um patamar de grandeza na cultura brasileira.
Com sua sanfona e também em seu papel como palhaço, Zé Risonho encantou Piracicaba e região, ao marcar a trajetória artística da cidade e ser reconhecido por diferentes instituições. O artista, em 2022, foi morar com sua filha, Ijuciara Fernandes, em Charqueada, cidade onde faleceu no dia 11 de junho de 2025, aos 93 anos. Ele manteve-se ativo até seus últimos anos, quando subiu ao palco com as bandas piracicabanas Malucos do Espaço e Cambalache.
O diretor Renan Costa de Negri afirma que sempre gostou de registrar histórias de artistas. "O resgate dos materiais guardados em suas malas e a possibilidade de poder ouvir suas memórias, registrando-as em audiovisual, são a prova de que todo artista merece ter sua história contada", diz.
Já Chico Galvão ressalta a importância do artista. "A trajetória artística do Zé Risonho é um pouco a síntese da cultura brasileira, pouco valorizada pelo Estado, mas de uma riqueza imensa. O fato dele ter passado pelo rádio, pelo circo, televisão e cinema demonstra o quanto seu talento era versátil. Ele cantava, tocava sanfona, interpretava, era um artista completo. O curta-metragem que fiz sobre o Zé Risonho é um reconhecimento por tudo que fez pela cultura brasileira", diz.
O projeto contou com apoio da Prefeitura de Charqueada, a partir de incentivo econômico da Lei Paulo Gustavo, Ministério da Cultura e Governo Federal.
História
Nascido em 22 de junho de 1931, em Presidente Bernardes, aos 15 anos, movido pela paixão pela música e pelo cinema, mudou-se para São Paulo. Os dias de faxineiro em hotel, dormindo no escritório, e o trabalho árduo na feira moldaram seu caráter, mas nunca abalaram seu espírito sonhador.
Sua voz e carisma logo o levaram aos programas de calouros mais famosos da época, como o Calouros Platina, de Homero Silva, na Rádio Tupi, e Peneira Rodine, de Hélio de Araújo, na Rádio Cultura. Foi Luiz Gonzaga e sua Asa Branca que o guiaram pelo caminho do baião e do forró.
Um encontro orquestrado por José Altafim, da Rádio Cultura, levou Zé Risonho à Praça da Sé para conhecer o Rei do Baião, num período em que a sanfona de Zé Risonho já ecoava no lendário Circo do Piolim, na avenida São João.
Zé Risonho foi também um desbravador do cinema. Em 1957, sua participação como o indígena Curumim no filme "O Capanga", dirigido por Alberto Severi, foi um marco: a película foi pioneira na modalidade Cinemascope no Brasil. Mais tarde, no fim dos anos 50, a união musical com sua irmã resultou na dupla Zé Risonho & Maria Fulô, nome carinhosamente dado por Luiz Gonzaga.
Nos últimos anos, marcou presença em filmes do piracicabano Cidão, morador do bairro Santa Rosa, que fez da sua paixão pelo cinema a produção de obras memoráveis, como "O Fotógrafo Azarado".