
Última bienal: encontros propõem pausa para repensar futuro da exposição que se tornou referência no campo das artes (Lucas Cersósimo)
Nos dias 19 e 20, quinta e sexta-feira, com início às 16h, o Sesc Piracicaba realiza o ciclo de encontros O Estado da Arte [naïf] [popular], que propõe ampliar o debate público no campo das artes sobre a produção que foi historicamente classificada como popular, naïf, primitiva e folclórica. O encontro acontece no teatro da unidade e reúne artistas, curadores, pesquisadores e educadores em uma programação dedicada à reflexão crítica sobre o panorama contemporâneo dessas manifestações artísticas. O público também poderá acompanhar os debates online pela plataforma Zoom.
A programação revisita a trajetória da Bienal Naïfs do Brasil - realizada no Sesc Piracicaba entre 1986 e 2020, primeiro como mostra e depois como bienal - ao mesmo tempo em que propõe uma pausa para repensar os caminhos futuros da exposição que se tornou referência no campo das artes. Ao longo de seus 40 anos, ela apresentou ao grande público artistas celebres como Aleijadinho, Carmézia Emiliano, Waldomiro de Deus, Volpi, José Antônio da Silva, Antônio Poteiro, Heitor dos Prazeres, Mestre Vitalino, Maria Auxiliadora da Silva, G.T.O. (Geraldo Teles de Oliveira), Véio, Cícero Dias, Guignard, entre outros.
A arte naïf é geralmente associada a produções realizadas de forma autodidata e temas ligados ao cotidiano, à memória ou à imaginação. Historicamente, esses artistas enfrentaram dificuldades de inserção em espaços institucionais, como museus e grandes galerias. A Bienal Naïfs do Brasil funcionou como uma plataforma de visibilidade a essa produção - porém, o termo naïf passou a ser questionado por poder ter uma possível conotação pejorativa, por vezes associado à ideia de ingenuidade ou inferioridade em relação à arte contemporânea.
“Os termos ‘naïf’ e ‘popular’ são categorias construídas ao longo do tempo e carregam implicações simbólicas, políticas e sociais. O seminário surge como um espaço de escuta e construção coletiva, cujo objetivo é justamente atualizar conhecimentos e trazer esse debate para o centro da discussão atual”, explica o diretor do Sesc São Paulo, Luiz Galina. “Para isso, a proposta é reunir diferentes vozes e perspectivas e repensar a Bienal Naïfs do Brasil diante das transformações do campo das artes”, acrescenta.
O Teatro do Sesc Piracicaba foi escolhido por seu vínculo histórico com a mostra. Além das atividades presenciais, o seminário contará com transmissão online, ampliando o alcance do debate e incentivando uma participação mais democrática.
O encontro também mantém o caráter reflexivo presente na proposta da Bienal Naïfs do Brasil que, ao longo de suas edições, incentivou questionamentos por meio de recortes curatoriais e textos críticos. “Cada edição apresentou um foco específico e promoveu debates importantes relacionados ao seu tempo. Agora, o convite é olhar para essa trajetória com abertura e espírito colaborativo”, aponta Galina.
Comunidade presente
A Bienal Naïfs do Brasil teve origem a partir da Mostra Nacional de Arte Ingênua e Primitiva, uma exposição inserida em um amplo projeto de múltiplas linguagens artísticas denominado Cenas da Cultura Caipira, realizado no Sesc Piracicaba, em 1986.
Nas primeiras edições da Bienal, eram reservadas salas especiais dedicadas a artistas reconhecidamente "naïf". Com o tempo, surgiram salas separadas onde artistas já reconhecidos no sistema das artes, chamados de contemporâneos, eram apresentados. Foi na edição de 2012 que artistas convidados e selecionados passaram a compartilhar explicitamente os mesmos espaços, sendo expostos lado a lado.
Ao longo das edições, além da visitação às exposições, formações com professores da rede municipal e visitação de grupos escolares e de instituições, a comunidade local esteve presente tanto como artista expositor - a exemplo de Mestre Zequinha, Carmela Pereira, Gustavo Ansia, Carlos Valério, Laércio Ferreira - quanto nas programações. A Bienal também trouxe saberes do território em atividades paralelas, como o Fórum das Tradições Populares, apresentações de grupos de folia de reis, maracatu, congadas, oficinas, ateliês abertos, apresentações teatrais, cordéis, entre outros.
Serviço
Ciclo de Encontros sobre Arte Popular (Naïfs)
Quando: dias 19 e 20
Onde: Teatro do Sesc - rua Ipiranga, 155
Entrada gratuita: retirada de ingressos com uma hora de antecedência.
Vagas limitadas
Transmissão online via plataforma Zoom. O link será divulgado em breve no portal e redes sociais do Sesc